O verão é o novo inverno da saúde
Todos os anos, o verão altera profundamente a geografia humana de Portugal. Em agosto, o Algarve pode ganhar mais de 400 mil pessoas sem mudar de fronteiras. Com cerca de 580 mil residentes, chega a ultrapassar o milhão durante o verão, segundo as estimativas do INE. É quase como se surgisse um segundo Algarve, sem que nenhum recenseamento capte plenamente essa transformação. É o País que muda, temporariamente, de lugar.
Esta redistribuição repete-se, com intensidades diferentes, noutros destinos do litoral e em algumas localidades do interior, onde o verão também aumenta temporariamente a população. Durante semanas, muitas pessoas ficam longe do centro de saúde onde estão inscritas, dos profissionais que as acompanham e das redes de apoio habituais, embora continuem dentro do próprio país. As suas necessidades de saúde acompanham-nas, obrigando o sistema a responder a uma população temporariamente diferente daquela para a qual cada território foi planeado.
Reconhecer esse desajuste é fácil. Difícil é transformá-lo em planeamento. Até este ano, a resposta sazonal em saúde assentava em planos autónomos para o inverno e para o verão. A Portaria n.º 136/2026/1, publicada a 31 de março deste ano, substituiu esse modelo bipartido por um ciclo anual........
