menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Narcisismo nas relações íntimas e o impacto na saúde mental

18 0
13.10.2026

Este artigo centra-se no narcisismo masculino nas relações íntimas e nos seus possíveis efeitos na saúde mental das mulheres. A escolha apoia-se em estudos que encontraram maior prevalência da perturbação narcisista nos homens e níveis médios superiores de alguns traços, sem que isso descreva todos os homens. Também há homens vítimas de mulheres com comportamentos abusivos e o seu sofrimento merece igual reconhecimento. 

A análise comportamental ajuda a compreender comportamentos que se repetem e os seus efeitos nas relações, mas não permite, por si só, estabelecer um diagnóstico clínico. Ter características narcisistas não significa necessariamente agir de forma abusiva e quem pratica abuso pode não ter uma perturbação narcisista.  

Reconhecer estes padrões em si pode ser difícil quando a crítica é sentida como humilhação ou ameaça à autoestima. A palavra “narcisista” pode ser recebida como acusação. Ainda assim, os estudos de Carlson e colaboradores mostram que algumas pessoas reconhecem os seus traços e a impressão negativa que causam. Ter essa consciência não é o mesmo que assumir responsabilidade pelo sofrimento provocado. O essencial é olhar para os comportamentos e para os seus efeitos. 

A investigação ajuda a compreender uma contradição dolorosa: procurar admiração e, ao mesmo tempo, desvalorizar quem a oferece. Os estudos de Back e de Wurst distinguem a procura de admiração, associada sobretudo à atração inicial, da rivalidade narcisista, ligada a dificuldades nas relações duradouras. Nesta última, diminuir o outro pode servir para proteger a imagem de si. 

Nestas dinâmicas, a inteligência e a sensibilidade de uma mulher podem ser valorizadas enquanto confirmam essa imagem, mas tornar-se alvo de crítica, quando ela questiona ou estabelece limites. É precisamente quando a relação exige escuta e respeito pela autonomia dela que esta contradição se torna mais evidente: como pode alguém procurar tanto o seu amor e depois fugir ao diálogo necessário para cuidar da relação? A questão traduz a distância entre desejar afeto e conseguir retribuí-lo. 

Em algumas manifestações de narcisismo patológico, existe também uma rigidez defensiva: a dificuldade de rever a própria posição e aprender com os erros. Weinberg e Ronningstam descrevem obstáculos à aprendizagem com a experiência. Kealy e Ogrodniczuk analisam dificuldades na capacidade de amar a si próprio e aos outros. Contudo, estes estudos não permitem concluir que a mudança seja impossível. 

O problema torna-se particularmente doloroso quando alguém procura no amor de uma mulher alívio para o vazio interior, mas fragiliza a confiança que poderia ampará-lo. A mulher que o conhece, respeita e aceita pode acabar ferida........

© Visão