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Verde Veneno ou o mal-entendido do mundo

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27.03.2026

O pensamento tem pudores, atrasos, sonolências. Resíduos ainda soltos, conexões mal estabelecidas, excertos de uma tese à espera da sua hora. Julgamos que estamos longe da coisa e, de repente, é a coisa que vem ter connosco. E na maior parte das vezes não entra ao som do clarim, mas quase por distracção. Como um espirro. Houve um dia em que alguém espirrou, soltou um “Atchim”, e esse reflexo involuntário de defesa do sistema respiratório ficou baptizado para sempre. Assim também comigo. Foi quando a Catarina, num princípio de tarde qualquer, na cozinha cá de casa, se saiu com um “verde veneno”, que percebi exactamente aquilo que andava a pensar sem ainda o saber dizer.

Para perceber o que isso era, tenho de recuar até 2022, ano de Os Perdedores. Esse disco já marcava um desvio. Não que antes tivesse havido em mim um caminho higiénico. Mas onde ainda havia fantasia, restos de embriaguez, uma certa confiança nas aparências, começou então a impor-se outra coisa. O esvaziamento. A perda. E foi aí que se tornaram mais nítidos certos eixos espirituais que andavam difusos, como manchas ao longe.........

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