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Matar Chicão

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17.04.2026

Há, enquanto escrevo, uma conversão em curso. Todas as conversões são bonitas, mesmo quando são duvidosas. Houve a de Saulo em Paulo, a de Cassius Clay em Muhammad Ali, a da Porcalhota em Amadora. Agora temos a de Chicão em Francisco. Santos, pugilistas, subúrbios e homens que querem ser amados: todos acabam por ter o seu lugar na comédia solene da transfiguração.

O nome nunca é um pormenor. Foi preciso Napoleão ser Napoleão. E Júlio tornar-se César. No caso de Chicão o nome foi o drama inteiro. Porque “Chicão” foi mais do que uma alcunha; foi a condenação que o prendeu à sua versão menor. E o mais cruel é ter-lhe sido imposto, alto e bom som, com pompa de baptismo político, por Paulo Portas, no congresso de Peniche de 2015, quando ascendeu à liderança da JP. O nome que o lançou foi também o nome que o apequenou. A partir daí ficou condenado a entrar em cena diminuído. Queria ser chefe, e davam-lhe uma palmadinha verbal nas costas. Queria ser um homem de ordem, e chamavam-no com o tom com que se chama o primo irrequieto para a mesa dos mais novos. Havia nele essa singularidade quase fatal: ser tratado pelo mesmo nome que o seu boneco teria no........

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