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O dia em que deixámos de acreditar nas provas. Opinião de um especialista em cibersegurança

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10.07.2026

O maior risco da Inteligência Artificial não é criar mentiras. É destruir a confiança na verdade.

Durante muitos anos habituámo-nos a confiar nas imagens. Uma fotografia, uma gravação de voz ou um vídeo eram, por definição, elementos que reforçavam a ideia de que determinado acontecimento tinha realmente ocorrido. Naturalmente, sempre existiram montagens, manipulações ou contextos retirados do seu enquadramento original, mas partíamos de um princípio relativamente estável: aquilo que víamos era, salvo alguma interpretação mais filosófica, uma representação da realidade. Nos tempos que vivemos, essa certeza começou a desaparecer e talvez ainda não tenhamos percebido o verdadeiro alcance dessa mudança.

Sempre que se fala de Inteligência Artificial, a conversa acaba quase inevitavelmente nos deepfakes. É compreensível. A capacidade de criar vídeos, vozes ou fotografias praticamente indistinguíveis da realidade impressiona qualquer pessoa. No entanto, penso que o verdadeiro problema não está na existência dessas falsificações. O maior perigo começa quando deixamos de conseguir confiar em qualquer evidência digital. Nesse momento, não é apenas o conteúdo falso que ganha força. Também o conteúdo verdadeiro passa a poder ser negado.

Acredito que, em........

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