menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A arrogância intelectual do activismo anti-touradas

22 0
15.08.2026

Nós, aficionados à Festa, andamos por esta altura muito entretidos a ver toiros, a nossa paixão. Estamos no pico de uma temporada que, este ano, tem visto crescer o número de touradas, a sua dispersão territorial e, sobretudo, o público que as acompanha e sustenta. Mas não desligamos do País, naturalmente. E foi assim que nos deparámos com um artigo de opinião de Isabel Oliveira, apresentado como uma reflexão sobre as touradas e o seu lugar na sociedade portuguesa. Tivemos de reagir.

Comecemos pelo título: “As touradas representam o País? Perguntem ao povo”.

Faz sentido perguntar ao povo, através de um referendo, se as touradas representam o País?

As touradas não pretendem representar nada nem ninguém. São uma expressão cultural e festiva de uma parte da sociedade portuguesa, com raízes históricas profundas, praticada e vivida em diferentes regiões do País. Numa democracia plural, isso deveria ser suficiente para justificar o respeito – ou, pelo menos, a tolerância – pelo direito de existir, incluindo por parte daqueles que não gostam dela.

Propor um referendo com o objectivo de proibir uma manifestação cultural levanta, aliás, uma questão mais profunda: deve uma prática cultural ser submetida a referendo sempre que uma parte da sociedade deixe de a considerar aceitável? Se assim fosse, estaríamos a transformar a maioria conjuntural numa espécie de árbitro da legitimidade cultural das minorias. Não é esse o conceito de pluralismo cultural.

A Festa nada tem a temer de uma consulta popular. Pelo contrário. A única sondagem nacional que conhecemos, da Eurosondagem, realizada em 2019, apontava para uma realidade diferente daquela que o discurso proibicionista frequentemente sugere: uma pequena minoria defendia a proibição, enquanto uma larga maioria não a apoiava.........

© Visão