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Lamentos de um jovem professor de Português

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25.06.2026

Em Portugal, segundo a Eurostat, 7,5% da população lê cinco a nove livros por ano, colocando-nos abaixo da média europeia. Culpar o cidadão que trabalha dias inteiros e mal tem para o fim do mês seria, no mínimo, falacioso. Mas podemos sempre apontar dedos. Eu aponto-o à disciplina que diariamente ensino. Aponto-o às diretrizes pedagógicas, vindas de cima, que tratam a nossa língua e a nossa literatura como montagem de um escadote do IKEA: mecânica, mnemónica e tecnizicada. Aponto-o à preguiça criativa contra o fazer diferente, valorizar o novo, o revolucionário, o disruptivo (um dia, mais tarde, pedir-lhes-emos o pensamento outside the box que cedo mutilámos).

E aponto o dedo, talvez acima de tudo, a algo maior: à cultura do business, filha bastarda de uma genealogia industrial, que metrifica e qualifica a capacidade humana segundo critérios lucrativos, empreendedores e empresariais. Formamos, hoje, o........

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