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O fim da crítica de cinema? Não. O fim do monopólio

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23.02.2026

O meu amigo e companheiro de trincheira cinéfila, Jorge Leitão Ramos, escreveu esta semana na revista Expresso sobre o fim do cinema. Eu, com todo o respeito e uma pitada de provocação, prefiro falar do fim da crítica de cinema tal como a conhecemos. Não do cinema. Nem sequer da crítica. Mas do monopólio da crítica. Porque, vejamos: hoje toda a gente quer ser crítico de cinema. E pior: toda a gente pode ser. O culpado? Ou o salvador? Chama-se agora Letterboxd, mas estende-se também a muitos sites e blogues de cinema.

Durante décadas, a crítica vivia nos jornais, nas revistas, nos suplementos culturais. Havia meia dúzia de nomes que “faziam opinião” e que quase “vendiam bilhetes de cinema”, fosse pela positiva, fosse pela negativa: os bola-preta, às vezes, vendiam tantos bilhetes como os cinco estrelas. O público lia, concordava, discordava, mas respeitava. O crítico era uma espécie de padre laico do gosto cinematográfico: tinha acesso antecipado aos visionamentos privados em sala, escrevia com autoridade e raramente era contestado. Ou era pelos distribuidores. Conta-se que uma velha lenda da distribuição nacional, depois de um visionamento de imprensa, se aproximou de um crítico que estava com cara de poucos amigos e lhe disse: “Pode dizer mal à vontade do filme, mas já agora ponha uma fotografia bem grande.”

Agora? Agora as estreias de cinema são tantas todas as semanas que, às vezes, até vemos filmes em casa através de links, e o crítico profissional é apenas mais uma conta no meio de 26 milhões de utilizadores, fora o resto que anda pela net.

Só no Letterboxd são 26 milhões de utilizadores. Em 2020 eram 1,7 milhões. Em 2026 já ultrapassaram os 26 milhões. E continuam a crescer como se fosse uma saga da Marvel no seu auge, antes da fadiga das........

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