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Ceuta: Os novos mouros chegaram sem espadas e a Europa respondeu com boias

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01.08.2026

Vi na televisão — já nem sei em que canal, porque nestas alturas todos se transformam no mesmo aquário de pânico — milhares de rapazes a sair do mar, a trepar rochas e a correr pela praia de Ceuta como se, do outro lado, estivesse não apenas Espanha, mas a vida inteira. No meio da multidão, um jovem marroquino, falando um espanhol razoável, disse uma frase mais lúcida do que quase tudo o que ouvi depois a ministros, comentadores e generais de sofá: “Isto foi uma estupidez. Já morreram várias pessoas. Nem sei bem porque estou aqui. Acho que vou voltar.” Ali estava a crise explicada em vinte segundos. O sonho, a manada, o medo, o arrependimento e o bilhete de regresso. E tudo sem comentários, artigos de opinião ou posts nas redes sociais.

Foi quase uma invasão. Podemos chamar-lhe isso sem distribuir archotes e panfletos do Vox ou repetir o palavreado ignorante dos seus amigos “cheganos” de Portugal. Uma invasão no sentido físico e territorial: dezenas de milhares de pessoas entraram de uma vez num território minúsculo, sem autorização e sem controlo efetivo da fronteira. Mas foi uma invasão sem exército, sem artilharia e, sobretudo, sem conquistadores. Ninguém chegou a cavalo, ninguém trazia uma bandeira para içar no município e nenhum rapaz parecia interessado em fundar um califado na secção dos congelados. Vieram com a roupa colada ao corpo, telemóveis embrulhados em plástico, pneus usados como boias e camisolas de clubes europeus. Os invasores queriam trabalho, comida e talvez um olheiro do Real Madrid.

A comparação com os Mouros é provocadora, mas exige História, não memes. Em 711, tropas muçulmanas, sobretudo berberes do Norte de África comandados por Tariq ibn Ziyad, atravessaram o Estreito, derrotaram o reino visigótico e iniciaram a conquista da Península. Foi uma invasão militar e nada pacífica. Mas, depois, al-Andalus tornou-se também um espaço de agricultura, comércio, medicina, matemática, filosofia e arquitetura, deixando marcas que ainda nós, em Portugal, pronunciamos quando dizemos Algarve, aldeia, alfândega ou almofada. Os que chegaram com armas também trouxeram conhecimento; os que agora chegam a Ceuta vêm de mãos vazias e trazem apenas a pobreza que preferimos não ver.

Os Mouros do século XXI trazem desespero

Entre 50........

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