“Hungry - 4 Toneladas de Raiva”: O Joaquim de Almeida e a vingança da Popota
Convém começar pelo essencial: este não é um filme de jacarés, crocodilos ou anacondas com contrato na Netflix. Não é um urso drogado, uma cobra radioativa, nem um javali ibérico irritado e de comportamento imprevisível. É um hipopótamo. Uma hipopótama, para sermos precisos, porque vamos respeitar as questões de género.
É um daqueles animais que a infância e o Jardim Zoológico de Lisboa sempre nos venderam como simpáticos, redondinhos, húmidos, vagamente cómicos, quase brinquedos de banheira com dentição de bulldozer. Pois bem: esta Popota — não a do Continente — cresceu, radicalizou-se e mudou-se para o bayou, onde certamente terá mais sucesso do que aqui, onde só aparece por alturas do Natal.
A premissa é de série B, assumidamente, gloriosamente, sem complexos. Um grupo de turistas num passeio pelos pântanos recebe, em vez do pacote habitual — jacarés, mosquitos, árvores torcidas e um guia sorridente a fazer piadas fracas com banjo ao fundo —, uma massa anfíbia de fúria e territorialidade. Uma hipopótama que não está ali para publicidade a iogurtes nem para posar ao lado de crianças em centros comerciais e supermercados. Está ali para destruir barcos, partir jacarés ao meio — e é bem-feito — e lembrar à humanidade que com a natureza não se brinca.
O grupo de turistas cumpre a função com eficácia. Há a amiga que quer esquecer os problemas, a que acha que um pântano é........
