O espelho que nos rouba o rosto. Crónica sobre a ilusão da IA nas salas de aula
Há algo de profundamente paradoxal na imagem que nos chega da Universidade de Aveiro, Instituição onde me formei em 1993: o Reitor Paulo Ferreira, que muito respeito, e os estudantes erguem a Inteligência Artificial como estandarte da modernidade educativa, como se nela coubesse a salvação do pensamento. Mas pergunto: quando um algoritmo escreve por nós, quem pensa? Quando uma máquina responde às nossas dúvidas antes mesmo de as formularmos, quem aprende? Nas minhas crónicas tenho insistido numa verdade incómoda: a IA não é um prolongamento do espírito humano — é, muitas vezes, a sua quietude antecipada.
Os defensores da integração acrítica da IA nas universidades falam em “ferramenta”, em “personalização do ensino”, em “competências para o futuro”. Soa bem. Soa a moderno. Mas esconde uma traição silenciosa ao ato educativo. Como escrevi em outubro passado, inspirando-me nas reflexões de Hannah Arendt sobre a vita activa, educar não é transferir informação — é cultivar a capacidade de parar, de duvidar, de formular a pergunta certa. E........
