A ilusão de Babel e a Comunicação Não Violenta
A promessa era simples: mais tecnologia, melhor comunicação. O resultado está à vista: mais ruído, menos sentido. Na sua encíclica Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV aponta o diagnóstico com uma clareza desconfortável — não é a Inteligência Artificial que nos ameaça, é a nossa incapacidade crescente de escutar.
Há qualquer coisa de profundamente irónico no nosso tempo: nunca tivemos tantas ferramentas para comunicar e, ainda assim, nunca foi tão difícil compreender o outro.
A nova encíclica do Papa Leão XIV, Magnifica Humanitas sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial, entra neste paradoxo com a lucidez de quem percebe que o problema não é a tecnologia — é o modo como a deixámos redefinir o humano. Logo na abertura, a imagem é frontal: a humanidade está perante uma escolha — “erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”.
Não é apenas teologia. É um diagnóstico civilizacional.
Babel já não é uma torre; é um ecossistema. Funciona em silêncio, num ritmo vertiginoso, com a aparência de neutralidade — mas, como recorda o Papa, a tecnologia “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam,........
