Zuenir Ventura (1931-2026): O grande jornalista que ajudou a fazer a VISÃO. Por José Carlos de Vasconcelos
Era um grande jornalista, dos melhores do Brasil e de língua portuguesa. Foi, e nunca deixou de ser, um notável repórter, depois igualmente cronista e colunista, editor e diretor de redações. Começando por ser “pintor de paredes”, profissão do pai com quem trabalhava, antes ainda das redações foi professor, e continuou a ser. Em simultâneo, a partir sobretudo de 1989, aquando da edição de 1968 – o ano que não terminou, impôs-se como escritor, com livros que são também reportagens, mas ultrapassam essa dimensão – e em 2014 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) com 35 dos 37 votos possíveis. Mineiro de Além Paraíba, preso pela ditadura militar, figura largamente conhecida, reconhecida e admirada no seu país, Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira, 22, aos 95 anos, na sua casa no Rio de Janeiro, onde desde jovem estava radicado.
No Brasil já surgiram numerosas “matérias” e evocações extremamente elogiosas sobre o trabalho e a obra de Zuenir. Incluindo de jornalistas de vários quadrantes a sublinhar o muito que aprenderam com ele, chamando-lhe – como o tratavam sobretudo os que com ele começaram – Mestre Zu. De facto, ao longo da sua carreira profissional, de cerca de sete décadas, Zuenir trabalhou e deixou a sua marca em importantes jornais e revistas. Aliás, começou como “arquivista” da Tribuna de Imprensa, sendo convidado para a redação após um texto que escreveu sobre Albert Camus, em 1956. A partir daí foi desde editor de internacional a chefe de reportagem (da então famosa revista semanal O Cruzeiro) e diretor de redação (da popular Fatos & Fotos). E em meados da década de 80 teve intervenção decisiva no então prestigioso diário Jornal do Brasil, incluindo a reformulação/renovação do seu Caderno B e da sua revista Domingo. Depois, passou a ser, sem falhas, destacado cronista de O Globo, desde janeiro de 1989 até fevereiro de 2022.
Ainda nos anos 70, porém, trabalhou e foi chefe da redação no Rio da revista de São Paulo Visão e foi como seu repórter que esteve em Portugal a cobrir a revolução do 25 de Abril. É por isto que a “nossa” VISÃO” tem um particular dever de recordar e destacar o jornalista, escritor e “cidadão” que Zuenir foi? Claro que não. Aliás, com uma excelente memória para muitas coisas do passado, confesso não recordar bem se o nome da Visão brasileira teve alguma influência na escolha do “nosso nome”. Lembro-me, sim, da também brasileira Veja ser, com a Time, uma das duas revistas em que mais “atentei” para, como diretor-editorial do grupo, apresentar um projeto da nossa revista que elaborei – sendo Veja um título que nos podia agradar, mas não estava disponível.
Então, porquê aquele dever? Porque o Zuenir esteve em Lisboa a dar uma........
