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Brasil: à beira do precipício ou numa difícil democracia. Opinião de José Carlos de Vasconcelos

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22.10.2026

1. Na 2ª volta das eleições presidenciais brasileiras, no próximo domingo, 25, o que está em jogo não é só nem sobretudo uma escolha entre centro e esquerda, por um lado, e direita/extrema-direita, por outro, mas uma opção entre a garantia de respeito pela democracia e pela Constituição da República, assegurado por Lula da Silva, e a (quase?) certeza de desrespeito por ambas de Flávio Bolsonaro. Lula, qualquer que seja o juízo sobre a sua ação política, tem muitas décadas de inquestionável luta pela liberdade e pelos valores consagrados na Constituição Cidadã de 1988, e 12 anos como Presidente em que eles nunca foram beliscados. Flávio tem como programada prioridade amnistiar os condenados por uma tentativa de golpe de Estado contra a democracia – “capitaneada” pelo seu pai, mentor, designador, Jair Bolsonaro -, e modificar a Constituição. Para salientar esta flagrante opção, intitulei a minha última crónica “Entre a certa democracia e o regresso de Bolsonaro”. À luz dos resultados das de 4 de outubro acrescento algumas notas.

2. Esses resultados – das eleições presidenciais, para deputados, senadores e governadores – foram altamente favoráveis à direita/extrema direita. No que respeita às presidenciais, não tendo sido os mais “desastrosos”, foram suficientes para se ter de concluir por um favoritismo de Bolsonaro na 2ª volta. Favoritismo que já existia mesmo a confirmarem-se as sondagens para a 1ª, que davam Lula a vencê-las por uma curta margem. Porque os cerca de 12% dos votos que no 1º turno previsivelmente iriam para outros quatro candidatos, segundo as sondagens transferir-se-iam em uns 70/75% para Bolsonaro. Acrescendo que quem não ficou à frente nunca ganhou a eleição,  parece que só quase um milagre poderá reeleger Lula.

Em relação a este histórico há que considerar, no entanto, que nunca a diferença entre o mais e o menos votado foi tão pequena: de 1,8%, cerca de 2,240 milhões de votos num universo de quase 159 milhões de eleitores, dos quais se abstiveram 33 milhões. Assim, o principal objetivo de Lula é conquistar parte deles e a maioria........

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