O país que fotografamos nas férias e esquecemos no resto do ano
Há cheiros que nunca se desaprendem. O da terra quente quando o sol já vai alto. O do tomate acabado de colher da horta. O da lenha que ainda aquece o forno onde o pão coze devagar. O da erva acabada de cortar. Há sons também. O cantar insistente das cigarras nas tardes de agosto. O sino da igreja que marca as horas, mesmo quando ninguém olha para o relógio. O motor que puxa a água do poço que anuncia mais um dia de trabalho no campo.
Quem cresceu no interior sabe que as férias nunca significaram deixar de fazer coisas. Pelo contrário. Era o tempo em que o trabalho se misturava com a liberdade. De manhã ajudava-se a apanhar a batata, a regar a horta ou a alimentar os animais. Não porque alguém obrigasse, mas porque aquela era a forma natural de viver. O campo nunca conheceu horários de escritório. Conhecia o nascer do sol, o calor que apertava ao meio-dia e a urgência de aproveitar o fresco da tarde para acabar o que faltava.
E, quando o calor já parecia não caber dentro do corpo, havia sempre um tanque.
Não uma piscina de........
