Da Suíça ao “nós”
Durante décadas, consolidou-se a convicção de que a maturidade democrática se encontrava intimamente ligada ao sucesso económico, quase como se o crescimento da riqueza pudesse traduzir, por si só, um correspondente crescimento da própria comunidade enquanto tal. Por isto, julgou-se até que sociedades mais prósperas, daquelas que para todas as outras são um sonho, seriam inevitavelmente sociedades mais livres, mais abertas, mais confiantes e mais capazes de integrar a diferença, numa espécie de evolução histórica em que a abundância material acabaria por dispensar a necessidade de perguntar quem somos e por que razão permanecemos juntos.
No entanto, a Suíça de 2026 veio mostrar que há perguntas que voltam sempre e lançou uma dúvida sobre esta convicção de que falamos. A Suíça, mesmo apresentando elevados níveis de rendimento per capita, reduzidas taxas de desemprego e sendo uma democracia consolidada com um dos mais elevados índices de qualidade de vida à escala global, viu os seus cidadãos serem, todos, chamados a pronunciar-se, em referendo, quanto à possibilidade de limitar, constitucionalmente, a população do país a dez milhões de habitantes.
Para que esta convocatória popular avançasse, os motivos alegados foram a crescente pressão sobre........
