Um sistema chamado Chega. Opinião de Gonçalo Ribeiro Telles
Há três anos que concluo o mesmo: o Chega diz que quer mudar o regime, mas já é sistema há muito tempo. Aquele que se instala por dentro, com peso em vários sectores, financiamento nacional e internacional, redes próprias e uma capacidade de condicionar tudo como nenhum outro partido. Sustentam este sistema três peças que se reforçam mutuamente: dinheiro, instituições e média. A moção de censura da semana passada e o caso Luís Neves são apenas o episódio mais recente a confirmá-lo, servindo para as ver todas em ação ao mesmo tempo.
A moção apresentada pelo Chega acabou com André Ventura a pedir a Luís Neves que se fosse embora “em nome de Deus e do País”. Não passou, como era previsível: o PS absteve-se, lamentavelmente, em vez de votar contra, o Governo sobreviveu, e o Chega saiu do Parlamento com aquilo que realmente queria, ao fim de dois meses de tiro mais ou menos generalizado no espaço mediático: outro dia prolongado de indignação. O Governo cair nunca foi o objetivo.
É claro que as pontas soltas de Luís Neves, mal explicadas em vários momentos de comunicação, forma, modo e conteúdo, adensaram a polémica. Tornou-se óbvio que muitos dos mea culpa do ministro relativos ao........
