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Orbán, PSD e o Constitucional

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26.03.2026

Ao contrário do que seria expectável, 12 de abril pode ser um dia muito importante para o futuro da União Europeia. Depois da Eslovénia e do sinal das eleições locais em França, no último fim de semana, a Hungria de Orbán pode ser o próximo país onde a extrema-direita perde peso e poder.

O melhor sinal disso é o que revela o desmantelamento da simulação do atentado russo contra o autocrata húngaro para que este garantisse a vitória. Logo a seguir e além do financiamento que a internacional de extrema-direita concentra, as palavras de apoio de Trump, do movimento MAGA americano e do governo israelita de Netanyahu.     

O grande dilema com que este movimento global se confronta hoje é se a expressão deste apoio não é completamente prejudicial para as diferentes ambições locais. Por mais ignorância que subsista, tornou-se difícil que grande parte dos cidadãos hoje não reconheça as técnicas descaradas de desinformação e que não olhe para a situação dos EUA de Trump ou para aquilo em que se tornou Israel com Netanyahu.

Em suma, se o próprio poder que emana do seu movimento em diferentes países não é o seu maior inimigo. 

Indiferente a tudo isto e contando sempre com o pouco peso que o essencial ou o rumo global das coisas tem em Portugal, o pequeno orbánzito português, André Ventura, lá esteve encantado em Budapeste com a sua internacional.

Foi um gesto político que não deixa de ser relevante porque reforça um posicionamento que deixou de ser ambíguo há muito tempo. Não sei se muda de patamar no debate público e se o Chega passa a ter um enquadramento constante, sem ingenuidades, mas para lá de todo o dinheiro que jorra quando não se é um player irrelevante no eixo da extrema-direita global, Ventura parece desinteressado dos sinais do seu campo político internacional. Acresce que, durante demasiado tempo, o espaço público português tratou o crescimento do Chega como uma expressão doméstica de descontentamento e desligada destas correntes internacionais.

Essa foi uma leitura confortável, incompleta e simplória.

Como democracia integrada na União Europeia, Portugal não vive isolado. As dinâmicas que atravessam outros países têm impacto direto e mais acentuado do que tudo o resto no nosso. Nunca esteve em causa apenas a retórica interna, mas a inserção neste movimento extremista que quer mudar regimes, confrontar para controlar as instituições, exponenciar o racismo, desmantelar o pluralismo e viver numa relação constantemente difícil com a verdade.

Ignorar este enquadramento enquanto se discutem juízes indicados pelo partido de extrema-direita nacional no Tribunal Constitucional é passar ao lado do essencial.

Estar desligado dos sinais será ainda um PSD eternamente refém das vistas curtas, da falta de visão do passismo ou que não sabe pensar e preservar as instituições para lá do que julga ser a conveniência do imediato.

Poderá sair-lhe caro a vários níveis

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.


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