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PSD: A esperteza saloia da antecipação das diretas. Opinião de Filipe Luís

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12.03.2026

1. ‘‘Também já ouvi coisas de que não gosto… e andei.” Pedro Passos Coelho reagiu assim ao desafio (implícito) de Luís Montenegro, para que viesse a terreiro e se candidatasse à liderança, nas diretas que o líder do PSD entendeu antecipar para maio. O ex-primeiro-ministro tornou-se uma espécie de líder da oposição, dentro do seu próprio partido, e isso já vem de antes da campanha das eleições presidenciais. Conforme escrevi aqui, na edição de 6 de novembro do ano passado, depois de uma das suas primeiras intervenções realmente críticas sobre o governo, “o antigo líder do PSD e antigo primeiro-ministro, num longo discurso de 30 minutos, estabeleceu um programa de governo, do seu governo, se fosse ele que mandasse, que em (quase) tudo se demarca da filosofia seguida por Luís Montenegro”. Na altura, Passos tinha reconhecido: “É uma crítica que aqui assumo”, e foi esse o título desta coluna. As recentes intervenções do mesmo Passos, que exige que o Governo “comece a fazer” alguma coisa, por ter sido “para isso que foi eleito”, parecem ter exasperado o primeiro-ministro.

Passos Coelho suportou, com paciência cristã, as críticas que lhe fizeram, em quatro anos de Troika, alguns dos barões mais notáveis do seu partido, de Manuela Ferreira Leite a Rui Rio, passando por Luís Marques Mendes. Na altura, ouviu coisas de que não deve ter gostado – mas nunca lhe passou pela cabeça alterar os calendários estatutários do seu partido para desafiar os críticos a virem a jogo. (Não é pelo facto de um adepto de futebol identificar falhas no jogo da sua equipa que é obrigado a ir para dentro do campo dar pontapés na bola…) Nessa altura, Passos, simplesmente… “andou”. Ao contrário, Pedro Santana Lopes, por exemplo, também sob fogo cerrado de críticos do seu próprio partido,........

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