O País arde e os exames queimam. Opinião de Filipe Luís
“Abri duas provas e, numa delas, nem ampliando se percebe o que está lá escrito. A culpa é do aluno ou da digitalização? Há folhas de continuação de examinandos [alunos] diferentes, mas distribuídos como sendo do mesmo, tendo caligrafias diferentes. A resposta a um item estava toda em preto. Há respostas incompletas por falta das folhas de continuação. Há respostas que não correspondem aos itens que me atribuíram para classificar. Tenho respostas a um grupo sem folha de continuação e uma resposta em que há caligrafias diferentes nas duas folhas. Duas respostas a um item e uma resposta a um grupo não têm folha de continuação. Duas provas não têm nenhuma folha de resposta associada.”
Este é o depoimento de um professor, nas redes sociais, sobre o caos em que parecem ter mergulhado os exames do Secundário, aparentemente, por obra de uma opção pela digitalização das provas. O País, febril com as incidências do Mundial, parece ter passado ao lado desta monumental bronca, nos exames nacionais, que invoca ressonâncias de outros escândalos ou perturbações no passado, quer em época de exames, quer nos calendários de reinício dos anos escolares, as greves, a falta de professores ou os “furos” forçados com falta de docentes a afetar inúmeros alunos. Ciclicamente, os governos reagem, negam e a guerra de palavras e argumentos entre a tutela e os professores entra frequentemente na lógica de “uma palavra contra a outra”. Mas a matéria é particularmente sensível, porque não afeta apenas um grupo profissional ou de utentes, como acontece noutras áreas da administração pública ou dos serviços públicos, mas leva na enxurrada centenas de milhares de famílias que não sabem com o que contar. A opção pela digitalização obedeceu a decisões políticas assumidas. Conforme foi denunciado e não desmentido, algumas estruturas que funcionavam, no modelo anterior, no Ministério da Educação, para fiscalização e........
