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Ninguém emigra para a Roménia. Opinião de Filipe Luís

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28.05.2026

Está confirmado, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, pode levar esta para o próximo congresso do PSD: Portugal registou a segunda maior subida homóloga do salário médio na União Europeia (7%). Este forte incremento elevou a remuneração média anual portuguesa para os 24 818 euros (cerca de 1694 euros brutos mensais). Vale a pena registar qual foi o país que se atravessou à nossa frente e nos impediu de levar a medalha de ouro: terá sido a Alemanha? A Finlândia? A Dinamarca? Não: foi a Roménia. Depois de os nossos liberais terem apontado a Roménia como o próximo país que ia ultrapassar-nos no crescimento económico, eis que nos ultrapassa, ao menos, no crescimento dos salários. (Pormenores de somenos: o salário romeno está nos 1800 euros, um pouco acima do português. Mas, na Roménia, a taxa de inflação cifra-se em 10,7%, a mais alta de toda a União Europeia, contra os 3,3% da inflação portuguesa). Ou seja, tanto ontem (quando o crescimento romeno servia de exemplo para alguns dos nossos sábios) como hoje, ninguém emigra para a Roménia. Os portugueses, especialmente os mais qualificados, preferiam emigrar para as “depressivas economias” da Alemanha, de França, da Grã-Bretanha ou dos Países Baixos, onde o salário médio não cresceu assim tanto.

Mais uma vez, os números dizem-nos o que quisermos. Quando se parte de muito baixo, o potencial de crescimento é exponencial. É como nas dietas: os primeiros quatro ou cinco quilos são fáceis, por corresponderem a mera retenção de líquidos. Ora, o crescimento não tem, necessariamente, a ver com a melhoria das condições de vida. Nem o crescimento dos salários, quando eles continuam baixíssimos. Como será o SNS romeno, bem como as suas prestações sociais? E como serão estas nos países escandinavos? É a velha questão do crescimento e da macroeconomia ou, como........

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