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Eu censuro, tu censuras, ele censura, eles continuam. Opinião de Filipe Luís

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10.09.2026

O jogo de sombras chinesas decorrente da moção de censura esta semana apresentada pelo Chega, e prontamente chumbada pelo Parlamento, situação que se repete a cada moção de censura apresentada, é um dos exercícios mais hipócritas da democracia portuguesa. E já que vai haver uma revisão constitucional, não seria mau que ela servisse para alguma coisa – nomeadamente, para instituir a obrigatoriedade da “moção de censura construtiva”, como existe noutros países. O que forçaria o partido que tivesse a iniciativa de uma moção de censura a apresentar um governo viável alternativo, antes de ela ser votada. E assim se acabaria com truques políticos estéreis, que consomem tempo e dinheiro ao País, só para se ter tempo de antena, principal vocação do Chega.

Em Portugal, das 37 moções de censura apresentadas, apenas uma, a 4 de abril de 1987, foi aprovada na Assembleia da República. E esse desfecho deixou um trauma de que os partidos nunca recuperaram: o resultado foi letal para os que a votaram favoravelmente, derrubando o primeiro governo (minoritário) de Cavaco Silva. O PRD, autor da moção, que tinha tido 18% e 45 deputados, encolheu fortemente, punido pelo eleitorado, nas eleições que se seguiram, com 4,7% e sete deputados. E o PS, que embarcou na aventura, com o seu voto decisivo, não teve melhor sorte, reduzindo-se à insignificância perante a primeira maioria absoluta conquistada em Portugal (pelo PSD e pelo derrubado Cavaco).

Perante tais consequências, criou-se a ideia, que está por provar que seja, em todas as circunstâncias, a correta, de que o eleitorado pune aqueles que provocam uma crise política. Está por provar essa tese, por faltarem os suficientes “testes de stress” que a confirmem, mas o certo é que, bem recentemente, ela foi corroborada duas vezes: quando, em 2021, os........

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