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Opinião | Um SNS em ruína e um governo sem respostas

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19.05.2026

A revisão em baixa do número de portugueses que terão acesso a médico de família, agora reduzido para apenas 60 mil novos utentes abrangidos, é mais do que um recuo político. É um sinal preocupante de resignação perante um dos maiores problemas estruturais do Serviço Nacional de Saúde. Num país onde mais de um milhão de pessoas continuam sem médico de família, anunciar metas tão modestas representa admitir que o Estado deixou de ambicionar uma solução universal para um direito que deveria ser básico.

O médico de família não é um luxo administrativo ou uma estatística de campanha. É a porta de entrada no SNS, o profissional que acompanha o histórico clínico, previne doenças, evita urgências desnecessárias e garante continuidade de cuidados. Quando esse elo desaparece, o sistema torna-se mais caro, mais lento e mais injusto, e quem mais sofre são os idosos, doentes crónicos e famílias com menos recursos.

Durante anos, os sucessivos governos prometeram resolver esta carência, anunciando concursos, incentivos, reformas organizacionais e novos modelos de unidades de saúde. No entanto, a realidade manteve-se praticamente inalterada. Em algumas regiões do País, sobretudo no interior e nas áreas metropolitanas mais pressionadas, conseguir uma consulta de........

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