O futebol conta o dinheiro. Mas quem controla o jogo? Opinião de Emanuel Macedo de Medeiros, cofundador e CEO global da SIGA
Na janela de transferências de jogadores deste verão, o FIFA Transfer Matching System (TMS) registou 12 575 transferências internacionais no futebol profissional masculino e compromissos declarados de 9,89 mil milhões de dólares. Portugal registou 301 milhões de dólares nas entradas e 642 milhões nas saídas. Os dados incluem operações pendentes: não são movimentos de tesouraria.
Portugal não é periferia deste mercado, nem pode ser periferia do escrutínio.
Como o dinheiro americano está a comprar o futebol europeu
Os números podem ser impressionantes, e são, mas não respondem ao essencial: quem financiou, quem está verdadeiramente por detrás da sociedade ou do fundo, qual é a real e efetiva motivação do investimento, que direitos foram adquiridos e quem beneficia? O TMS regista a operação, mas, por si só, não demonstra os interesses que a financiam, nem as dependências que cria.
Sempre defendi que o investimento no futebol é bem-vindo. A boa regulação e a transparência não hostilizam o capital responsável; protegem-no de quem faz da opacidade uma vantagem. O critério não é a nacionalidade do dinheiro, mas a sua origem, os direitos que adquire e os interesses que serve.
Não sejamos ingénuos. Adquirir uma participação no capital social de uma sociedade desportiva não é comprar um ativo qualquer. É adquirir poder sobre um clube, uma competição e uma comunidade. A propriedade formal é apenas a face visível desse poder. Dívida, garantias, pactos parassociais, direitos económicos e redes de multipropriedade também conferem controlo.
Há mais de três décadas que........
