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Vai arrendar casa? Muito cuidado com as burlas

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Junte a democratização do acesso às ferramentas de Inteligência Artificial à extrema escassez de casas para arrendar e obterá a tempestade perfeita, aquela que está atualmente a ocorrer no nosso mercado.

Se não sabe do que estou a falar, é bom sinal; significa, muito provavelmente, que não tem tido a necessidade de arrendar uma casa, nem tem sentido as dores de alguém próximo de si nesse caminho tortuoso. Mas, de um momento para o outro, a vida pode mudar e essa necessidade pode surgir, seja para si, para alguém da sua família, ou para alguém amigo. Se tal coisa acontecer, irá gostar de ter lido este artigo.

A enorme escassez de casas para arrendar e o consequente aumento do desespero das pessoas que as procuram tem levado muita gente a baixar a guarda para níveis cuidado perigosamente baixos. Os burlões, sabendo isto, têm feito pequenas fortunas à custa de inocentes, praticamente sem sofrerem qualquer punição.

Eu explico-lhe o cenário que tenho observado até ao ponto de me interrogar como é que tal coisa pode estar a acontecer. É mesmo essa a indignação que pretendo fazer surgir em si. Quero que se indigne, que se desperte para este assunto, que se eduque sobre como pode, em teoria, vir a sofrer um ataque como este, para logo a seguir olharmos os dois, ombro-a-ombro, para o que pode fazer para evitar cair nas armadilhas como esta que lhe descrevo aqui.

Alguém precisa de arrendar um apartamento, digamos, um T2 em Massamá. Eis que aparece numa plataforma de renome um T2 a 850€ por mês. O candidato a inquilino liga imediatamente e atende o proprietário, um senhor simpático a falar um português de Portugal perfeito. O proprietário explica que está no Porto, que o apartamento pertence a uma herança, dele e da irmã, e que ambos têm interesse em arrendar rapidamente. Ele diz que tem recebido várias chamadas, que irá lá “na segunda-feira seguinte” para assinar o contrato com quem ficar com a casa. Ele explica que, se o candidato a inquilino quiser, pode falar diretamente com a irmã sobre este assunto, uma vez que ela conhece melhor o apartamento. Toda a narrativa é agradável, sofisticada e bastante plausível.

O candidato a inquilino explica que tem muito interesse e pergunta como poderia “segurar o arrendamento”. O proprietário sugere que, se o inquilino quiser, pode transferir o valor de uma renda para o IBAN da irmã. Toda a conversa é suave e assustadoramente credível. Até mesmo para um olhar razoavelmente treinado, isto pareceria bastante razoável. 

Mas, como tudo isto implica transferir 850€ para um desconhecido, o inquilino decide “ter alguma prudência”, aceitando fazer uma chamada telefónica para a irmã do proprietário. Uma senhora simpática atende, igualmente num impecável português de Portugal e igualmente credível. A senhora confirma cada detalhe já referido pelo seu irmão e, prontamente, oferece-se para lhe enviar por WhatsApp a cópia do seu........

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