Prémio Laranja sem Sumo para um agosto sem chama de um Governo cansado e acossado
Termina o querido mês de agosto com uma sensação de verão encurtado pelas chuvas de um outono prematuro que nos traz de regresso a política ativa, sem novidades por parte de um Governo cujo líder optou demagogicamente por não ter férias e que chega à rentrée estafado e acossado.
O tema do mês foi o relatório de Jorge Bravo encomendado pelo Governo, que sem apresentar soluções veio lançar o terror e criar incerteza sobre o futuro da segurança social. Falhada a requentada arenga das últimas décadas sobre a falta de sustentabilidade do sistema previdencial, a manobra assentou desta vez em misturar os resultados do sistema de segurança social, assente em contribuições de trabalhadores e empregadores com uma função redistributiva, com as contas da CGA, um sistema encerrado há 20 anos e em redução gradual de beneficiários, para o qual a entidade patronal não contribuía e por isso as despesas teriam de ser suportadas pelas receitas gerais do Orçamento do Estado.
Multiplicaram-se as ameaças, desde colocar os contribuintes da Segurança Social a pagar as pensões da CGA, à declaração sobre o excessivo aumento das pensões mais baixas, à crítica à generosidade das pensões com contribuições intermitentes, até à almejada criação de um modelo individualista de conta-corrente para as futuras pensões a gerir por fundos de investimento privados.
O Governo conseguiu colocar o tema na agenda e alterar as referências do debate, mas percebeu de imediato que a tempestade que este tema iria provocar poderia superar largamente as emoções geradas pela revisão do Código do Trabalho e optou por pôr o relatório de Jorge Bravo na gaveta até que a oportunidade política surja.
Mas pelo meio........
