Pobres e mal agradecidos
A Joana é uma ingrata. Não mostra um pingo de gratidão por fazer parte do grande esforço nacional para fazer avançar o País . As novas gerações são mesmo assim: ingratas e sem noção do que são verdadeiros sacrifícios.
A Joana formou-se em Direito. Era um velho sonho da avó que, antes de morrer, ainda a viu em traje académico perdida de bêbeda e quase doutora. Logo a seguir ao curso ainda tentou fazer um estágio numa firma de advogados, mas não tinha como se sustentar e arranjou um part-time numa loja de roupa.
Os horários eram terríveis, turnos longos a horas impróprias e pouco a pouco aquela parte da sua vida começou a não deixar tempo nem disponibilidade emocional para mais nada. O futuro que tinha imaginado na faculdade foi-se desvanecendo aos poucos e, a custo, a Joana foi aceitando que o caminho que percorria no presente já não a levaria ao futuro que imaginara no passado.
Quando a Joana se casou já tinha uma posição melhor na loja de roupa, mas os horários continuavam a ser desumanos e o ordenado insuficiente. A casa que arrendaram era demasiado cara para as suas possibilidades porque não havia casas que não o fossem. E foi a partir daí que a renda, as contas, a prestação do carro passaram a ser as barras da prisão que a mantinha refém daquele trabalho.
Já com filhos, a Joana perguntava-se se estaria a ser um bom exemplo e resolveu dedicar as noites a estudar. As manhãs eram caóticas com preparação de pequenos-almoços, a roupa dos........
