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Os eleitores devem estar loucos

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03.06.2026

Há poucas coisas certas neste mundo. Uns dirão que, para além da morte e dos impostos, não há nada. Enfim, nunca terão ouvido falar do Cogumelo do Tempo e de planos de otimização fiscal com recurso a offshores…

Mais certo do que qualquer uma destas coisas é a minha convicção de que não passa um dia sem que alguém neste país tente convencer outra pessoa, através da mais robusta razão, de que uma determinada proposta da extrema-direita é estapafúrdia.

Encontramos cada vez mais pessoas que parecem ser absolutamente impermeáveis à razão, dizem as coisas mais absurdas, mantêm raciocínios contraditórios. A imunidade ao mais elementar raciocínio lógico é compreensivelmente aflitiva.

O historiador José Pacheco Pereira, pessoa a quem dificilmente se colará o adjetivo de ingénuo, cometeu a enorme ingenuidade de achar que, num debate televisivo, conseguiria expôr as mentiras de André Ventura através do uso da razão e da urbanidade. O resultado foi o previsível descarrilamento e um total de pessoas convencidas da vacuidade de Ventura que, arrisco, terá sido exatamente zero.

Aqui mesmo, nas páginas da VISÃO, Margarida Davim, a propósito da senhora bolsonarista-socialista, avisa que não é ao nível do discurso, mas ao da prática que é possível chegar a estas pessoas. Não basta desmontar falácias mais ou menos cómicas, é preciso acabar com um ciclo de mentiras e promessas quebradas, tradição que tem governado a ação do “arco da governação”........

© Visão