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O jornalismo e a arte de berrar mais alto

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01.07.2026

No restaurante onde costumo ir no meu no bairro acontece, como em todos os restaurantes desse género, um fenómeno curioso. Em noites tranquilas de semana é possível ir lá jantar, trocar umas palavras com os restantes clientes habituais, com o dono e os funcionários e com as restantes pessoas à mesa.

Mas em noites de fim-de-semana, particularmente se houver uma mesa mais barulhenta, toda a gente começa a falar mais alto. Uns tentam sobrepor-se aos outros, frustrados por não se conseguirem fazer ouvir. Os empregados têm de berrar os pedidos para a cozinha, ninguém se consegue fazer perceber porque toda a gente se quer fazer ouvir. A berraria atinge um nível tal que a permanência fica absolutamente insuportável e a comunicação se torna completamente impossível.

Houve um grande terramoto na Venezuela. Na televisão, um especialista entra na emissão para comentar a situação. O ecrã divide-se: do lado esquerdo podemos ver os comentadores em estúdio e do lado esquerdo passam em repetição, até à muito literal náusea, imagens de cadáveres em sacos, pessoas a agonizar presas nos escombros, sobreviventes ensanguentados e em choque.

O interesse jornalístico de passar estas imagens em pano de fundo, e em repetição infinita, sem contexto nem preparação do telespectador, é menos que nulo. O único propósito é tentar agarrar........

© Visão