Nós sem ti não saberíamos
Se não me engano, estávamos em junho de 2002. O Jorge Palma ia dar alguns concertos no Villaret, em Lisboa, e era a oportunidade perfeita para eu tirar os pensamentos do sítio escuro em que me encontrava.
Fui. Meio orgulhoso por ir sozinho, meio envergonhado por ir sozinho. Já o tinha visto, mas não sabia bem o que esperar. Já o tinha visto ao vivo, mas o estado embriagado em que se apresentara escondera a magia das canções que eu queria ouvir. A embriaguez servia para agradar aos imbecis que glorificavam a bebedeira e olhavam para o espetáculo como quem olha para um acidente.
Ouvi muitas canções pela primeira vez. Ainda o Spotify não era imaginado, por isso só conhecia as que estavam nos poucos discos que eu tinha conseguido comprar. Ouvi algumas das canções que eu queria mesmo ouvir e, quando o resultado dos concertos saiu em disco um tempo depois, convenci-me de que era meu aquele grito que se ouve assim que ele solta o “Tira a mão do queixo…”. Enfim, convenci-me e, de certeza, muitos outros comigo.
Não posso ter a certeza,........
