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Goodbye, Nick Cave

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30.07.2026

Não houve até hoje nada que se tenha metido entre mim e um disco do Elvis Presley, do James Brown, do Jerry Lee Lewis ou do Phil Spector. Não que haja falta de informação sobre atos abjetos cometidos por qualquer um deles e certamente não por achar que, naquela época, era tudo normal e aceitável. Acontece apenas que há uma descoincidência entre os juízos de valor que faço em relação aos atos em questão e a relação que estabeleço com a música destas pessoas.

É verdade que, de vez em quando, a consciência pesa, mas isso não é para aqui chamado. Se é assim, como se explica que, depois de ter ouvido as sonsas declarações de Nick Cave sobre a ocupação israelita da Palestina, se tenha esfumado imediatamente a paixão que fora magicamente criada numa noite de 2005 em Paredes de Coura?

Suponho que as pessoas estabeleçam relações diferentes com a arte e que nela valorizem coisas distintas. Há quem veja na arte um desporto de competição e se entusiasme com números de discos (enfim, na medida em que alguém ainda vende discos), bilhetes vendidos, notas tocadas por minuto, quantidade de acordes na mesma canção ou quantidade de oitavas que uma voz alcança. Mas nunca fui pessoa de gostar de desporto.

Há também quem veja a arte num sentido utilitário: como veículo para passar uma mensagem, contribuir politicamente, lutar pela hegemonia de um certo ideário no espaço público. Se é verdade que não há arte neutra, também não é como instrumento de propaganda que........

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