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Bolsonaro continua impune! O primero artigo da série "Brasil, que país é este?"

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18.04.2026

Este artigo inaugura a série “Brasil, que país é este?”, tendo como objetivo a elaboração de uma radiografia sociopolítica do que entendo serem as grandes questões da formação social brasileira, procurando apresentar elementos para que possamos analisar e acompanhar as eleições presidenciais de outubro de 2026 com uma veia histórica crítica e de longa duração.

Um contexto: as ideias-força que constam neste texto foram escritas no dia em que Jair Bolsonaro (o totem) foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes; assim como, generais e almirantes das Forças Armadas (FA) – que categorizamos como o Partido Fardado no Brasil. Todavia, mesmo que processo seja um “acerto de contas” entre a direita tradicional (oligárquica) e a direita neofascista/integralista brasileira – analiso e identifico como uma tentativa de reconfiguração hegemónica nesse campo político, é evidente que essas condenações têm um significado importante e ímpar na história brasileira, visto que o golpismo do Partido Fardado tinha, até hoje, permanecido impune, especialmente depois dos 21 anos da ditadura empresarial-militar (relação esta demonstrada no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho).

Agora, Jair Messias Bolsonaro e generais “cinco estrelas” das FA estão encarcerados a cumprir as suas penas – o ex-presidente encontra-se, neste momento, em prisão domiciliária temporária por motivos de saúde – conquanto permaneçam ilibados daquilo que compreendo serem crimes contra a humanidade e daqueles que podem deixar um “legado” político para a direita brasileira.

Imagino que alguns leitores/as podem estar a interrogar-se sobre o porquê ou mesmo “surpreendidos” com a minha afirmação enfática de que “Bolsonaro continua impune!”, visto que neste momento está preso e a pagar pelos seus crimes. Explico-me. O ex-presidente brasileiro, assim como os militares das FA, continuam sem punição relativamente aos seus crimes mais graves: o genocídio da pandemia do Covid-19. A sua política de Estado negacionista e criminosa exterminou a vida de 716 mil brasileiros/as – muitos desses mortos foram enterrados de modo indigno em valas comuns – pois, como estudos epidemiológicos já apontavam em 2021, “quatro de cada cinco mortes teriam sido evitadas se estivéssemos na média mundial”, segundo o cientista Pedro Hallal. Ou seja, a opção política foi pela morte sistemática!

A estratégia genocidária de combate ao vírus da........

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