Tigres de papel e guerras reais. Opinião de António Caeiro
Donald Trump terá sido maoista quando era jovem? Ou está apenas a iniciar-se na cultura popular chinesa, preparando a visita que deverá efetuar à China em maio? Há duas semanas, para qualificar a NATO, recorreu a uma metáfora popularizada nos anos 60 por Mao Tsé-Tung: a Aliança Atlântica é “um tigre de papel”. A expressão “tigre de papel” (zhi lao hu, em chinês) é retirada de uma máxima inscrita no Livro Vermelho das Citações de Mao. Diz assim: “Todos os reacionários são tigres de papel. Na aparência são assustadores, mas na realidade não são assim tão poderosos. Numa perspetiva de longo prazo, é o povo − e não os reacionários − que é poderoso.” Já não estamos nesse tempo.
Apesar de a China ser hoje muito mais próspera e mais forte, a sua liderança abandonou a retórica panfletária da década da “Grande Revolução Cultural Proletária” (1966-76). “Os EUA mantêm, de facto, uma força económica considerável e possuem um poder militar global sem paralelo”, disse o professor Zheng Yongnian a propósito da guerra contra o Irão. Segundo este conselheiro do governo chinês, o velho G-7 já foi suplantado por uma nova entidade: o G-2, constituído apenas pelos EUA e a China. “Embora os EUA estejam a avançar a sua própria visão da ordem........
