A desculpa perfeita. Opinião de um professor
Os resultados do PISA chegaram e, ainda antes de estes serem conhecidos, já havia quem soubesse de que foi a culpa.
Os números são maus e ninguém o nega: a Matemática, Portugal ficou pelos 460 pontos, o valor mais baixo desde que entrou no estudo, e os 462 pontos da Leitura são o pior registo de sempre, abaixo até da primeira participação, em 2000. É uma queda dura, em média com a OCDE, num país que em 2015 foi o único a melhorar significativamente os três domínios e a ficar, pela primeira vez, acima da média em todos eles.
Tudo isto merece uma reflexão séria. O que não merece é o espetáculo a que assistimos desde o início do mês: uma fila de comentadores, ex-ministros, deputados e opinadores de serviço que encontraram nestes números a desculpa perfeita para voltar a vender a receita de sempre: mais exames, menos “facilitismo”, menos inclusão, menos “ideologia”. Convém olhar para essas receitas com atenção, porque nenhuma delas resiste aos factos.
Comecemos pelos exames. O melhor resultado de sempre de Portugal no PISA, o de 2015, foi alcançado por uma geração que fez o 1º e o 2º ciclos sem provas finais no 4º e 6º anos. Esses exames só existiram durante um curto período, na primeira metade da década. E a primeira quebra nos resultados surge precisamente em 2018, com jovens que já tinham passado por esse regime. Se os exames fossem a vacina milagrosa que nos prometem, a história contar-se-ia ao contrário. Não conta.
Não conta, nem podia contar. Porque a investigação que existe sobre avaliação em educação aponta para outra direção. Desde o trabalho clássico de Paul Black e Dylan William que sabemos que a avaliação formativa, aquela que acompanha o aluno e que tem como objetivo a concretização da aprendizagem e não a sua quantificação, lhe devolve informação útil e ajusta as estratégias de ensino às suas dificuldades, está entre as práticas com maior impacto na........
