O ChatGPT disse que tenho razão
Há um fenómeno novo no meu dia a dia que ainda não sei bem se me faz rir ou chorar. Provavelmente as duas coisas, por esta ordem.
As pessoas descobriram a Inteligência Artificial. E com ela descobriram que afinal não precisam de advogados, nem de notários, nem de ninguém que tenha passado anos a estudar seja o que for. Basta escrever a pergunta certa numa caixa de texto e, em segundos, a resposta aparece. Formatada. Convincente. Com parágrafos bem construídos e uma autoridade que impressiona. O problema é que impressiona sobretudo quem a escreveu.
Trabalho muito com condomínios. É uma área que, por razões que a sociologia certamente explica melhor do que eu, desperta nas pessoas o seu eu mais combativo. O vizinho do terceiro que inundou a cave já era um campo minado antes da Inteligência Artificial. Agora é uma catástrofe jurídica em formato Word.
Recebo cartas. Reclamações. Impugnações de atas. Notificações. Todas redigidas com uma fluência que surpreende, uma estrutura que impressiona e um conteúdo que, com alguma frequência, me faz perguntar em que país e em que sistema jurídico aquela pessoa pensa que vive. Porque a........
