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"Foi só isto?"

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14.08.2026

Ontem ao fim da tarde estive no Alentejo a ver a Lua comer o Sol. Tinha uns óculos de cartão na cara, os pés na terra seca, e durante quase duas horas assisti a uma coisa que os seres humanos veneraram, temeram e registaram durante milhares de anos. O Sol foi-se reduzindo a uma unha incandescente, a luz ganhou uma qualidade estranha, metálica, que não é a do entardecer nem a de nenhuma outra hora do dia, e o calor abrandou como se alguém tivesse entreaberto uma porta noutro lado do mundo. Não vi a totalidade: essa coube apenas a uma pequena faixa do Parque Natural de Montesinho, durante 26 segundos. No resto do país, a ocultação ficou entre os 92,8% de Faro e os 99,9% de Bragança. Vi o que havia para ver de onde estava. E pareceu-me extraordinário.

Não é caso para menos. O último eclipse total visível em Portugal continental tinha ocorrido em 1912. O próximo será em 2144. Um eclipse total repete-se no mesmo ponto do planeta, em média, uma vez a cada 375 anos. Durante a maior parte da história humana, um eclipse era um acontecimento tão sério que os assírios chegavam a coroar um rei substituto para absorver o mau presságio, e Heródoto conta que, em 585 antes de Cristo, um eclipse interrompeu uma batalha entre lídios e medos: os dois exércitos, perante o dia transformado em crepúsculo, pousaram as armas e fizeram a paz. Os gregos construíram o mecanismo de Anticítera, um computador de bronze com mais de dois mil anos, em parte para prever estes momentos. Os eclipses pararam guerras e puseram reis a tremer.

E depois vieram os........

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