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Magrão faria 72 anos e o amor que sinto por ele é meu presente. Parabéns!

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20.02.2026

Magrão faria 72 anos e o amor que sinto por ele é meu presente. Parabéns!

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Nesse dia 19 de fevereiro, uma das principais pessoas que conheci em minha vida faria 72 anos. Inteligente, culto, genial em todos os sentidos, mas com a bola nos pés, era sem dúvida sua principal superioridade. Um grande ídolo e líder do principal movimento que já existiu no futebol mundial: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, mas, para os amigos próximos, era o Magrão.

Juntos, formamos a dupla Sócrates & Casagrande, dentro e fora de campo. Nossa ligação foi muito mais do que uma dupla de ataque; fomos uma dupla na vida, uma dupla de luta pela democracia, uma dupla que colocou a cara para bater contra a ditadura militar. Ele não usava seu calcanhar mágico só para dar assistências geniais em campo; batia de calcanhar também contra a perseguição que sofremos de 1982 até 1984.

Ele sempre me falava assim: "Big, eu te olho e me vejo com 18 anos." Isso me emocionava, e eu respondia: "Pô, Magrão, quando eu chegar aos 27 quero ser como você." Vivemos juntos e intensamente por anos, e fui em diversos 19 de fevereiro em suas festas de aniversário.

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Em 1983, em seu apartamento, estava com minha namorada, quando eu tinha 19 anos e ela 17. Ele tinha a mania de trancar a porta e esconder a chave. Tive que implorar para ele deixar a gente ir embora porque ela tinha aula na faculdade logo cedo. Nós nos conhecíamos e sabíamos o que um e o outro estavam pensando só com o olhar, tanto para criarmos uma jogada como para agirmos e tomarmos uma atitude.

Sou apaixonado por ele, assim como sei que essa paixão era recíproca, pelas nossas conversas longas em vários lugares do Brasil e também pelo mundo afora. Estar com o Magrão era viajar e se aprofundar, com lealdade e confiança, em segredos, decisões e desejos que cada um dividia com o outro.

Fico imaginando como seria encontrar com ele hoje em dia para tomarmos um café à tarde e trocar ideias por horas, como sempre fizemos. Sinto falta desse momento; afinal de contas, gostaria que ele convivesse comigo depois de tudo que passamos. O álcool o tirou daqui, e as drogas quase me tiraram também, mas o momento mais importante dos nossos encontros ocorreu num programa do Sportv chamado Arena.

Naquela tarde de 2011, os convidados eram eu, ele e o jornalista Marco Antônio Rodrigues (Bodão), que cobria o Corinthians na época da Democracia Corinthiana. Tive a oportunidade de me declarar para ele. Disse, olhando para o Magrão ao vivo, que o meu sentimento por ele era de amor. Sim, disse claramente: "Eu te amo." Aquilo fez um bem enorme para nós, porque pouco tempo depois ele se foi, mas foi sabendo que tinha um cara aqui que sentia amor por ele, e eu fiquei aliviado por ter falado pela primeira vez para um amigo que o amava.

Só tenho lembranças incríveis ao seu lado por tudo que vivemos juntos. Feliz aniversário, Magrão! Continuo te amando. Beijo.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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