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Biblioteca comunitária resgata a autoestima de crianças negras em SP

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12.10.2026

Biblioteca comunitária resgata a autoestima de crianças negras em SP

Não se ligam os pontos olhando para a frente. Boa parte da vida faz algum sentido pelo retrovisor. Era 2020, coisa de dias depois de terminar um curso sobre como escrever projetos culturais, Julie Lua, 39, viu o mundo quase todo correndo para dentro de casa. Era a pandemia do novo coronavírus.

"Agora, imagina. Tudo que eu fazia pela minha comunidade, as festas de Dia das Crianças para 400 pessoas, ser a tia da pintura, tudo isso, não podia mais, né", relembra. Lua mora no Caiçara, em Praia Grande, no litoral paulista. "Aí eu me perguntei como colocaria em prática tudo que havia aprendido naquela formação". Pontos se conectaram e, um ano depois, ela entregou ao mundo a Biblioteca Comunitária Contos de Fada Periférico. O nome não é à toa.

"Sou da época em que as princesas da Disney eram todas loiras. A Branca de Neve tem cabelo preto, mas é branca. As únicas com quem eu conseguia me identificar eram a Jasmine e a Ariel, mas por motivos diferentes".

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A Contos de Fada Periférico nasceu primeiro em um dos seus quartinhos, depois ganhou a casa. Hoje é um espaço com mais de 1.800 títulos, um trabalho que já é contado como referência até para fora da Baixada Santista. Aquela com acervo feminista e dedicada à educação antirracista? Ela mesma. Em breve, Lua conta, a vizinhança e qualquer pessoa, de qualquer lugar, poderão acessar tudo que existe em suas prateleiras a partir de um aplicativo, em fase de testes. E essa história toda começou assim.

"Nos primeiros meses da pandemia, as pessoas resolveram fazer faxina nas suas casas, livrando-se do que não queriam mais e começaram a doar livros. Elas sabiam que eu lia muito". Desde bem pequena, é importante dizer. Uma criança adotada, Lua sentia que não........

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