A verdade por trás da fechadura que permite 'ver 3 países ao mesmo tempo'
A verdade por trás da fechadura que permite 'ver 3 países ao mesmo tempo'
41º52'N, 12º22'LVila do Priorado de MaltaAventino, Roma, Itália
Através do buraco desta fechadura, é possível ver três países ao mesmo tempo!
Talvez você já tenha visto posts e vídeos a respeito disso. É algo tentador, de fato. Desperta uma curiosidade genuína, que criou, graças à disseminação nas redes sociais, mais um desses lugares excessivamente turísticos.
Milly LacombeCandidato a vice do São Paulo assombra com fala
Candidato a vice do São Paulo assombra com fala
Daniela LimaMinistros do STF veem Fachin contra a parede
Ministros do STF veem Fachin contra a parede
Matheus PichonelliCrise no STF chega às campanhas, e Cury sorri
Crise no STF chega às campanhas, e Cury sorri
SakamotoLula joga batata quente para o STF
Lula joga batata quente para o STF
Há quem relate ficar até uma hora na fila para conseguir a foto (até o Google Maps flagrou isso, como você pode ver no fim da coluna). A vista, pudera, é impressionante: a cúpula da Basílica de São Pedro emoldurada por ciprestes.
Porém, não é pela beleza que as pessoas aguardam pacientemente, mas pela tal vista dos três países. Você está na Itália e, em um clique, pega a basílica, que fica no Vaticano, e as árvores, que pertencem ao jardim da Villa del Priorato di Malta, sede romana da Ordem de Malta, "que tem status de país soberano", segundo esses trocentos posts.
O lugar, por si só, já serviria para atrair turistas interessados em história e em cantos bonitos menos explorados de Roma. Mas a fama o tornou um local disputado, muitas vezes cheio de gente.
Não à toa. Sentir-se em mais de uma entidade político-administrativa ao mesmo tempo desperta na gente uma curiosidade infantil irresistível.
Bem lembro eu de quando meu pai parava o carro no acostamento da Via Dutra, na altura de Queluz, ao lado da placa da divisa estadual. Saía do veículo e dizia, brincando, que estava com um pé em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.
O apelo da "fechadura dos três países" é inegável. Só que a soberania da Ordem de Malta é algo um tanto mais complexo. Não, ela não é um país independente, mas a história ainda assim é fascinante.
Bem antes de Malta e desse belo jardim em Roma, havia os cavaleiros hospitalários.
O início da ordem: hospitais e guerreiros de Cristo
No século 11, Almostancir, soberano do Califado Fatímida, império muçulmano que comandava partes do norte da África e do oeste da Ásia Ocidental, concedeu uma permissão a mercadores cristãos italianos. Eles poderiam construir um mosteiro em Jerusalém.
O mosteiro servia para auxiliar peregrinos que viajavam à Terra Santa. Com o aumento do fluxo de fiéis, nos anos 1060 eles construíram dois hospitais, um para mulheres e outro para homens.
Em 1099, com o fim da Primeira Cruzada e a vitória cristã, o hospital dos homens, dedicado a São João, já era uma instituição bem conhecida entre os peregrinos. Tanto que virou uma organização separada do mosteiro.
Em 1113, uma bula do papa Pascoal 2º criou, oficialmente, a Ordem Hospitalária. O hospital de Jerusalém responderia diretamente ao pontífice, que também o isentou do pagamento de dízimos sobre as terras que possuía e colocou outros hospitais e sanatórios na Itália, muito usados por peregrinos, sob sua administração.
Sete anos mais tarde, a ordem ganhou um braço militar. A ideia era proteger os fiéis que viajavam a Jerusalém, o que acabou fazendo o nome dos hospitalários durante as........
