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Romboli: emoções e relatos de um número 1 do Brasil que busca visibilidade

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29.12.2025

Fernando Romboli é o atual número 1 do Brasil e 40º do mundo nas duplas. Ainda assim, não é um dos nomes mais reconhecidos fora da bolha do tênis de seu país. Não tem um patrocinador que lhe forneça raquetes e só passou da marca de 10 mil seguidores nesta semana, após uma campanha recente no Instagram.

Só que a história de Romboli, um carioca criado no litoral paulista (mudou-se para Santos com 1 ano de idade e, aos 15, adotou o Guarujá como casa), tem belos episódios que precisam ser mais conhecidos. Desde sua saga no circuito Challenger (leia um pouco sobre ela e seus desafios financeiros aqui) - espécie de segunda divisão do tênis mundial, em que os pontos e prêmios em dinheiro são bastante inferiores aos ATPs e torneios do Grand Slam - incluindo um título inédito e incrível durante a pandemia (leia aqui) e terminando (por enquanto!) com uma semana cheia de improváveis em março deste ano, quando herdou uma vaga no Masters 1000 de Indian Wells e, ao lado do australiano John Patrick Smith, avançou até as semifinais (saiba mais aqui).

Nesta semana, Romboli e eu conversamos sobre um pouco de tudo que englobou esta trajetória. Vitórias marcantes, derrotas doídas, sensações compartilhadas com Fernanda, sua esposa e companheira nos torneios, finanças e objetivos para o futuro. O tenista de 36 anos lembrou da agência que abriu para vender passagens aéreas e ajudar a custear sua vida no circuito; explicou o fim da parceria com Smith, seu parceiro em 2025; analisou como o prêmio em dinheiro do último ano (cerca de US$ 350 mil) pode lhe ajudar na carreira; citou os objetivos para 2026, quando atuará a maior parte do ano ao lado do experiente Marcelo Melo; e destacou a importância de tornar-se mais ativo nas redes sociais, algo que Romboli já considera com parte essencial na carreira de um tenista profissional.

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Leiam abaixo a íntegra da conversa:

Vamos começar pela parte mais delicada da coisa... Eu quero saber o que aconteceu com o JP. Eu vi sua entrevista no New Balls Please e por ali não tive nenhuma pista de que vocês iriam se separar. O que aconteceu?

Aquela entrevista foi feita na semana do SP Open, então aquilo lá foi em setembro, foi no meio da temporada ali. Ali, realmente, a ideia era continuar. Não tinha nenhuma ideia de não continuar jogando. Assim... A gente teve alguns estresses, na verdade, por conta de treinador, né? A gente tinha o mesmo treinador até Hamburgo. Ali, eu tive um briga feia com o cara. Em Roland Garros, ele já não trabalhou comigo. Na verdade, em Roland Garros, ele não ficou na quadra. A gente, como equipe, decidiu tirar o cara porque estava muito estresse comigo, então a gente jogou Roland Garros o tempo inteiro sem ele. A partir daí, o JP continuou com ele. Eu não trabalhava mais, mas a gente convivia, né? Mas era uma relação muito difícil, tinha momentos de tensão, momentos que enfim... Não foi uma coisa tranquila o que aconteceu.

Um post compartilhado por Fernando Romboli | Tenista Profissional (@fernando_romboli)

Quem era o treinador mesmo?

O Cerretani [James Cerretani, 44 anos, foi #45 do mundo em duplas em 2008], um americano.

Claro, lembro de posts com vocês juntos.

Sim, sim. Então a gente teve vários momentos ali... Vou falar pra você que logo em Roland Garros, foi muito difícil, mas aí acabou passando, a gente continua tendo bons resultados, e acho que os dois - tanto eu quanto ele [Smith] - pelo bem do time, a gente seguiu. Um pouco mais eu, né? Porque era muito pior pra mim, né? Porque ele, apesar de saber tudo que aconteceu, de simpatizar com meu lado - porque foi realmente culpa do cara [Cerretani] - ele... Não sei, acho que ele achava que o cara era importante pra ele. Eu já via pelo outro lado. Eu já olhei e falei "não, pera aí, o mais importante aqui é o time, eu e você, não é ele." E a gente podia seguir tendo bons resultados igualmente, mas eu acho que ele não viu dessa maneira, então foi uma coisa... Não teve um episódio que marcou assim, mas é o que eu te falei: imagina trabalhar os dois com um cara e, de repente, um briga. E aí, pô, passar seis meses nessa situação. Cara, vai queimando, né? Então foi basicamente isso que aconteceu, e aí chegou no final da temporada, a gente decidiu não continuar junto.

E como é que foi a conversa com o Marcelo? Quem foi que procurou quem?

Cara, com o Marcelo, eu tava procurando, né? Mas eu não sabia... Eu achei que eles [Melo e Rafael Matos] continuariam, então eu soube uns dois, três dias depois que eles tinham se separado. Internamente, né? Ninguém sabia ainda, eu acho. E aí eu mandei mensagem pra ele na hora. Acho que nem ele sabia também. O meu caso também foi uma coisa que pouca gente soube porque é diferente, né? Tem umas [separações] que a gente sabe no circuito, tem umas que já sabem, todo mundo sabe que vai separar, e já começa desde Xangai. Mas o nosso, tanto o meu quanto o dele, foi uma coisa bem assim que não vazou, né? Então eu cheguei, e ele até tava conversando com outro jogador. E aí ele também não sabia, ficou surpreso, e aí a gente conversou ali por uns dois, três dias e decidimos jogar junto. Foi basicamente isso. Foi bem bem tranquilo. Foi bem legal assim de os dois terem ficado livres e formar essa parceria.

Vamo falar desta temporada agora, vamos falar da parte boa. Evidentemente, mudou tudo a partir de Indian Wells, né? Hoje você está em outra faixa de ranking, 40 do mundo, com 36 anos. Você fez essa semi em Indian Wells, foi campeão em Houston, vice em Hamburgo, oitavas em Roland Garros, oitavas de US Open, quartas em Toronto... Quer dizer, não foi um resultado isolado. Teve uma continuidade, uma consistência, foi um ano bacana.

Sim, sim.

E aí a minha pergunta é a seguinte... No meio dessa correria de circuito, que viaja, joga, treina, viaja, joga, treina, viaja... Deu pra respirar em algum momento e parar e comemorar, pensar "isso foi legal pra cacete" ou "está sendo legal pra cacete"? Teve um hora que rolou isso?

Olha, é muito difícil, Alê. Realmente, quem me ajudou um pouco a fazer isso foi a minha esposa. Ela muitas vezes pegava e falava assim "peraí, cara, olha onde a gente tá." Porque é o que você falou, cara. É uma correria tão grande, que a gente só quer saber de resultado, resultado, resultado, ou seja, cheguei a esse ponto "ah, então dá pra chegar 20", entendeu? Então assim... o esporte de alta performance, ele é maçante por isso, cara. A gente não consegue. É muito difícil a gente relaxar. E nem pode também porque os outros passam por cima. Mas eu tive momentos que a gente pegou e falou assim "cara, meu, olha onde a gente tá, sabe? Tem que comemorar". Às vezes, a gente tava estressado com alguma coisa, e a gente fala "meu, pra quê? Isso........

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