Paula Vieira Souza: árbitra gold badge e ainda melhor após tornar-se mãe
Paula Vieira Souza: árbitra gold badge e ainda melhor após tornar-se mãe
Paula Vieira Souza é uma pioneira na arbitragem brasileira. Latino-americana, na verdade. Falo com bastante conhecimento de causa. Nossa primeira entrevista foi em 2007, quando a gaúcha passava boa parte do calendário tenístico, no México, arbitrando em torneios menores e pagando as viagens por conta própria em busca de experiência. Pouco depois, a gaúcha seria a primeira mulher brasileira a trabalhar com juíza de linha em Roland Garros.
Hoje, aos 44, Paula tem o status de gold badge, distinção máxima da arbitragem mundial. Foi promovida a esse nível em 2017. É a primeira mulher da América Latina a alcançar esse patamar. Em todo o planeta, há apenas 13 mulheres gold badge. Daquela primeira conversa, em 2007, quando Paula era bonze badge, vi suas promoções para silver e, depois, gold; seu casamento em 2013 com o baiano Fábio Souza, também gold badge atualmente; e o nascimento de sua filha, Bethânia, em 2019.
Conversamos mais uma vez durante o SP Open, durante a incessante chuva de domingo (as finais de simples e duplas do torneio precisaram ser adiadas para segunda-feira) e Paula falou sobre sua vida no circuito, tendo um marido árbitro e uma filha que já viajou o mundo inteiro; e sobre sua experiência nos nove anos desde que alcançou o status de gold badge. Chamou minha atenção, em especial, como a brasileira acredita que evoluiu em suas atuações como árbitra de cadeira após ser mãe. Por último, falou sobre seus sonhos na arbitragem e na vida. Vale conferir, viu?
Juca KfouriEmpate desastroso para o Corinthians em Itaquera
Empate desastroso para o Corinthians em Itaquera
Danilo LavieriCorinthians avisa GreNal que também quer sofrer
Corinthians avisa GreNal que também quer sofrer
Letícia CasadoPlano econômico de Flávio Bolsonaro não está claro
Plano econômico de Flávio Bolsonaro não está claro
Joildo SantosQuem nunca apostou em bet também paga a conta
Quem nunca apostou em bet também paga a conta
Queria começar com você me contando daquela final, daquele fim de semana de 's-Hertogenbosch. Vocês dois fizeram finais. Você fez WTA, ele fez ATP. Mas como é que foi no dia que saiu, que vocês tiveram a certeza disso? Como é que foi isso?
A gente acaba sabendo um dia antes, né? Os assignments saem um dia. E foi uma surpresa. Uma coisa muito difícil de acontecer. Primeiro, eu e o Fabio, a gente estar no mesmo torneio. A gente geralmente está sempre mudando os torneios. A gente está tentando um estar em casa, e o outro, viajando. Nessa vez, a gente estava os dois lá. E foi muito legal porque, na verdade, o árbitro não sabe com antecedência quem é que vai fazer a final. Sabe na noite anterior mais ou menos. Então, foi uma surpresa no mesmo torneio. A gente fazendo as finais, né? Infelizmente, a minha acabou não saindo [a americana Robin Montgomery foi campeã por WO porque a tcheca Barbora Krejcikova, doente, não entrou em quadra.
Mas vocês comemoraram? Como é que foi isso?
Eu acho que a gente não comemorou porque nesse torneio, a gente fica num lugar muito isolado. O hotel é lindo, num castelo, mas é super isolado. Mas a gente jantou, obviamente, no hotel, e foi super legal, a gente comemorou. O supervisor da ATP que estava lá é o Carlos Sanches, que é português, então a gente se dá muito bem. Ele e o Rafa Schneider (árbitro brasileiro) também estavam lá. A gente jantou, foi uma coisa bem única pra gente. Mas não saímos porque fazendo a final no dia seguinte, a gente acaba dormindo cedo, né? Então, tem que ser uma coisa mais, digamos, rápida.
A última vez que a gente gravou uma entrevista a Bethânia (filha de Paula e Fabio) aqui não tinha nascido. Não lembro se a gente conversou disso na época, mas quanto tempo você e o Fabio conversam sobre tênis em casa?
O Fabio gosta de assistir tênis na televisão, por exemplo. Eu, não. Tipo... Eu não quero saber de tênis. Nem o que está acontecendo nos torneios no mundo, no momento que eu estou em casa. Eu meio que me desligo. Como o Fabio jogou profissional, ele jogou muito mais tempo do que eu, ele viveu essa coisa de esportista, de atleta, muito mais que eu, ele é mais ligado nisso daí. Mas falar de tênis, eu acho muito difícil. Primeiro que a gente passa pouquíssimo tempo junto em casa, pra falar bem a verdade (risos). E daí é tanta coisa assim de, sabe, de dia a dia, estar com a Bethânia, poder curtir família, poder, fazer coisas de um casamento normal, né? Eu adoro cozinhar, eu gosto de fazer coisas que não dá muito tempo de estar meio que focando em outra parte, que é uma parte que também toma muito tempo das nossas vidas, né? Então a gente acaba meio que esquecendo, assim, entre parênteses, mas, claro, o Fabio joga tênis quando está em casa, a Bethânia joga tênis. Mas falando de tênis? Claro, se tem alguma coisa que a gente tem que falar, alguma reunião que a gente tem que fazer, alguma coisa acontece, nova, assim, a gente tem que estar a par, beleza. Mas não "vamos sentar e falar agora sobre aquele jogo". Isso é impossível praticamente.
Mas quando vocês se conheceram, vocês falavam sobre tênis? Tipo sobre postura na cadeira ou como falar, como abordar uma situação X ou Y? Vocês trocam esse tipo de informação em algum momento?
Muito difícil. Acho que se acontecer alguma coisa muito fora do comum, e eu quero uma opinião, é uma coisa. Mas é que é muito difícil acontecer. Alguma coisa tem que ser muito específica para conversar, para... "Putz, o que é que tu acha disso? O que é que tu acha daquilo?", sabe? São tipo conselhos, mas não que a gente vai falar sobre........
