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Racista argentina precisa ser punida, mas os racistas brasileiros também

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20.01.2026

O caso da advogada argentina Agostina Páez que imitou um macaco contra um atendente negro de um bar no Rio não é apenas mais um triste episódio para as estatísticas de injúria racial. É um lembrete pedagógico de que o diploma de Direito, às vezes, serve menos para defender a Justiça e mais como um salvo-conduto para a barbárie.

A cena segue o roteiro repetido e trágico que conhecemos bem, seja protagonizado por um hermano, um gringo ou um compatriota: o cliente insatisfeito que, ao ter um desejo contrariado, não recorre ao Código de Defesa do Consumidor, mas ao código da Casa Grande.

Ao chamar o trabalhador de "macaco" ou questionar sua humanidade, a turista não estava apenas externando um preconceito pessoal, mas tentando colocar as coisas em seus "devidos lugares". O dela, no topo da pirâmide civilizatória, e o dele, na base servil.

Juca Kfouri

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