Levados à força e se debatendo
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras
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Levados à força e se debatendo
Cada vez mais se adota o recolhimento involuntário de dependentes; mas será que funciona?
Uma terapia que comece na rua, caso a caso e sem tempo para terminar, pode dar mais resultados
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Leio no Globo que 30% das capitais brasileiras estão adotando o recolhimento involuntário de dependentes químicos em situação de rua. A justificativa é que se trata de pessoas que põem em risco a própria vida ou a de terceiros. Não se trata de uma medida voluntarista dessas cidades. O Conselho Federal de Medicina já permite que parentes, responsáveis ou servidores públicos de saúde solicitem essa internação, sendo que a restrição da liberdade deve ser "pelo menor tempo possível".
Resta saber se funciona. Nenhum dos médicos e terapeutas que conheço, profissionais em dependência e com vasta experiência no assunto, acredita nessa solução. Ressalvados os casos em que a internação é uma emergência, o tratamento mais eficaz consiste em fazer o dependente se dispor a cumprir as etapas que o levarão a convencer-se de que sua vida será melhor sem a droga. A própria síndrome de abstinência, pela qual ele inevitavelmente passará, faz parte do tratamento. Nenhuma pessoa levada à força se sujeitará a isso.
A internação "pelo menor tempo possível" também é amadora e irreal. O processo pode levar semanas ou meses, daí as internações não terem tempo para terminar. Depende de cada um. E de que são formadas essas instituições que recolhem gente à força na rua? Por especialistas em dependência ou simples clínicos para quem o importante é a "desintoxicação"?
Por que o dependente não quer sair da rua? Porque não tem ideia de para onde irá e porque sabe que, na rua, terá acesso à substância de que precisa. Daí ser na rua, na minha opinião, que ele deveria começar a ser tratado. Terapeutas que frequentem as cracolândias e ganhem a confiança de alguns usuários terão mais possibilidades de convencê-los a se internarem. É possível que, se esclarecidos, os mais conscientes de sua condição aceitem.
Por menor o aproveitamento, será superior ao conseguido com pessoas levadas se debatendo, aterrorizadas pela perspectiva de passar as próximas horas sem o que elas pensam ser o que ainda as liga à vida.
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