Teoria de Voltaire sobre guerras na Europa ainda se aplica à Ucrânia
Historiador, deputado na Assembleia da República de Portugal e ex-deputado no Parlamento Europeu; autor de 'Agora, Agora e Mais Agora'
Link externo, abre página da Rui Tavares no Twitter
Recurso exclusivo para assinantes
Teoria de Voltaire sobre guerras na Europa ainda se aplica à Ucrânia
Filósofo dizia que conflitos europeus visavam impedir que uma só potência se tornasse hegemônica e esmagadora
Agora, maior poder militar da Europa, a Rússia, é confrontado por aliança de poderes médios e pequenos, a União Europeia
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Para nós, a Guerra da Ucrânia começou há quatro anos (e um dia) no dia 24 de fevereiro de 2022. Mas para eles —ucranianos e também os russos, ainda que estes não admitam o termo "guerra", mas sim "operação militar especial"— a guerra começou muito antes, em 20 de fevereiro de 2014, com a ocupação da Crimeia, ainda antes do triunfo do movimento que viria a depor o presidente Viktor Ianukovitch e forçar o exílio deste na Rússia dois dias depois.
Isso quer dizer que, qualquer que seja a medida usada, a Guerra da Ucrânia já é das mais longas da história moderna europeia. Mesmo os quatro anos que já dura se optarmos pela contagem mais curta já são mais tempo do que a participação da União Soviética na Segunda Guerra Mundial, que foi de 1941 a 1945.
Se contarmos com toda a Segunda Guerra Mundial (1939-45) é claro que esta seria mais longa, mas a verdade é que após a invasão da Polônia no fim do verão de 1939 houve ainda um período de "drôle de guerre", ou seja, de guerra declarada mas sem conflito aceso ou operações militares significativas por parte dos aliados. A campanha mais longa da Segunda Guerra durou três anos e meio —menos do que a atual guerra na Ucrânia, mesmo contando apenas a sua fase "em larga escala".
Mas, como dizia, para os ucranianos a guerra começou quando o território que era (e é) internacionalmente reconhecido como seu foi invadido, na Crimeia e depois no Donbass, a partir de fevereiro de 2014. Faz, portanto, 12 anos. É mais longo do que a participação soviética na Guerra do Afeganistão (nove anos e meio) e é mais longo do que todas as fases da guerra da ex-Iugoslávia juntas.
Na verdade, a Guerra da Ucrânia, se contada integralmente, é já a mais longa guerra no continente europeu desde a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), no século 17, há 300 anos.
Ícone Facebook Facebook
Ícone Whatsapp Whatsapp
Ícone de messenger Messenger
Ícone Linkedin Linkedin
Ícone de envelope E-mail
Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar
A Guerra dos Trinta Anos foi tão longa que quem a começou (a dinastia imperial austríaca, católica, contra os nobres protestantes do Reino da Boêmia) não foi quem a acabou e, em última análise, venceu: a Suécia e, sobretudo, Luís 14, da França, que assim inaugurou uma nova era de hegemonia na Europa.
Cem anos depois, enquanto escrevia sua maior obra de história, "O Século de Luís 14", Voltaire expôs uma teoria acerca das verdadeiras razões dessa guerra e, no fundo, de todas as guerras europeias.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Parafraseando, argumentava ele que a razão de ser das guerras na Europa é acima de tudo impedir que uma das potências europeias se torne não só hegemônica, mas esmagadora. É isso que justifica a formação de uma aliança de poderes emergentes, em geral médios, para disputar o poderio do maior poder do momento.
Luís 14 disputou e venceu com sucesso o poder dos Habsburgos, tanto "austríacos" quanto "espanhóis", e com isso conquistou a hegemonia para a França. Mas quando ele próprio e a sua dinastia Bourbon se tornaram demasiado poderosos, houve uma nova guerra —chamada "da Sucessão Espanhola"— para o pôr no seu lugar.
Esta guerra dura há tanto tempo que se tornou uma guerra de desgaste. O maior poder militar da Europa, a Rússia, é confrontado por uma aliança de poderes médios e pequenos, a União Europeia. Vamos ver como acaba. Mas eu não apostaria contra Voltaire.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. benefício do assinante Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha. Já é assinante? Faça seu login ASSINE A FOLHA
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois Salvar artigos Recurso exclusivo para assinantes assine ou faça login
Recurso exclusivo para assinantes
Leia tudo sobre o tema e siga:
Segunda Guerra Mundial
sua assinatura pode valer ainda mais
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
sua assinatura vale muito
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Leia outros artigos desta coluna
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/rui-tavares/2026/02/teoria-de-voltaire-sobre-guerras-na-europa-ainda-se-aplica-a-ucrania.shtml
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
notícias da folha no seu email
notícias da folha no seu email
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo, Elio Gaspari, Djamila Ribeiro, Tati Bernardi, Dora Kramer, Ruy Castro, Muniz Sodré, Txai Suruí, José Simão, Thiago Amparo, Antonio Prata e muito mais.
Para que pensar no fim do mundo?
Para que pensar no fim do mundo?
Que diferença faria se a Europa fosse uma federação?
Que diferença faria se a Europa fosse uma federação?
Ilha de Cabo Verde é um Brasil pequenino
Ilha de Cabo Verde é um Brasil pequenino
