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Aprender dá trabalho e requer atitude

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20.02.2026

Doutora em economia, consultora de impacto social e pesquisadora do FGV EESP CLEAR, que auxilia os governos do Brasil e da África lusófona na agenda de monitoramento e avaliação de políticas

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Aprender dá trabalho e requer atitude

Jovens precisam agir e não podem ficar à mercê da inteligência artificial

O futuro da humanidade depende do desenvolvimento de cérebros críticos e pensantes

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Desde meus primeiros anos escolares, lembro-me do meu pai falando que para aprender de verdade era preciso mais do que só ouvir o professor em sala de aula. Pela sua experiência como estudante, ele dizia que era preciso escrever, praticar com exercícios e repetir os processos. Parecia muito trabalhoso para mim.

Mais tarde, como uma boa adolescente que contesta as orientações dos mais velhos, fui testar a tal teoria. Fazia provas sem ter estudado quase nada, apenas com o que tinha apreendido durante as aulas. Meu experimento às vezes era bem-sucedido, às vezes não. Em geral ficava aquele gostinho de que eu podia ter me saído melhor.

Após uma longa carreira como estudante, tendo tido minhas experiências ensinando, e hoje como pesquisadora em educação, aprendi sobre o potencial de metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Colocar o aluno no centro do processo, para que aja como um criador de soluções, e não apenas como um receptor de conhecimento, contribui para a reflexão e a fixação dos conhecimentos.

Mas o mundo está mudando. Os estudantes de hoje têm à mão uma série de recursos que a minha geração sequer imaginava. Com o acesso a ferramentas de inteligência artificial generativa a um celular de distância, o processo de aprendizagem de novas habilidades já vem enfrentando novos desafios —e isso mesmo antes de resolvermos outros ainda mais elementares.

Controvérsias recentes viraram pauta em discussões sobre como os jovens são afetados. Desde 2025, uma lei federal restringe o uso de celulares nas escolas em todo território nacional. Este será o segundo ano letivo da restrição, que surgiu como resposta aos efeitos negativos do uso exagerado do celular e redes sociais na capacidade de concentração e saúde mental, principalmente de crianças e adolescentes.

Por outro lado, apenas proibir o uso nas escolas não resolve todos os problemas. Em um mundo que já não é mais analógico, a educação midiática e o letramento digital deixam de ser opcionais, sob o risco de restrições levarem ao aumento de lacunas entre quem tem acesso a recursos fora da escola e quem não tem. Formação docente adequada e atuação com as famílias também são indispensáveis.

Neste ano, o banimento de dispositivos eletrônicos em sala de aula chegou ao ensino superior em algumas faculdades privadas. É uma tentativa de recuperar a atenção de estudantes que chegam a essa etapa viciados nesses aparelhos. Uma medida que pode ser considerada polêmica, mas que pode ter resultados positivos e com o tempo ser flexibilizada.

Mais cedo ou mais tarde, a regulação chegará ao uso da inteligência artificial. Ainda sem tantas evidências sobre os efeitos no desenvolvimento dos jovens, mas já com indícios de que podem ser bastante prejudiciais. Quando um estudante sistematicamente recorre à IA para ler textos, resumir conteúdos e escrever, está perdendo oportunidades de aprendizagem. Não se aprende uma nova habilidade só recebendo respostas prontas, sem praticar —não sou mais adolescente para contestar isso.

Esses são desafios que educadores, pais e formuladores de política pública vão precisar enfrentar. O futuro da ciência, e da humanidade, depende do desenvolvimento de cérebros críticos e pensantes, e não preguiçosos, como a IA costuma nos deixar.

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