BMW e montadoras chinesas: o que marca alemã tem a ensinar às novatas
BMW e montadoras chinesas: o que marca alemã tem a ensinar às novatas
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Recentemente, testei um carro chinês e simplesmente levei 30 minutos para conseguir reabastecer o modelo com gasolina. O sistema de destravamento da tampa do tanque de combustível não é nada óbvio. O modelo não tem nenhum botão, e destravar a porta não basta.
Há uma parte na central multimídia dedicada apenas a destravamento de janelas e portas. E nada sobre tanque de combustível no lugar. Procurei, explorei bastante o carro, busquei ajuda com os funcionários do posto, pesquisei na inteligência artificial do Google. Nada. Tive de ligar na assistência da marca para conseguir.
O acionamento do sistema estava em uma parte da central multimídia que era impossível achar, se ninguém indicasse. E assim ocorre com vários recursos da maioria dos modelos chineses. A principal razão é a obsessão pela eliminação de botões, que chegou a ser uma tendência na Europa também - mas, após rejeição dos clientes, as montadoras foram obrigadas a voltar atrás.
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Esse caso recente, que me levou a perder nada menos do que 30 minutos de meu dia na busca pela execução de uma função de um carro, me fez recordar de outro, no final de 2025. Eu tinha testado um carro chinês poucos dias antes e, então, estava ao volante de um BMW - era lançamento da versão quatro-cilindros do X3.
Quando fui acionar o sistema semiautônomo de condução - aquele que permite ao carro acelerar, frear e fazer algumas curvas sem interferência do motorista -, procurei em locais improváveis, antes de rapidamente me dar conta do óbvio. O acionamento era onde deveria ser: em uma tecla do lado esquerdo em que aparece o desenho de um, adivinhem: volante.
Naquele momento, depois de passar a semana anterior com um carro chinês, por alguns segundos eu tinha me esquecido que as coisas nos carros podem ser simples e intuitivas. E, de fato, na maioria deles, elas são. Até produzi, na época, um vídeo para meu perfil no Instagram. Título: "Coisas que as montadoras chinesas têm a aprender com a BMW".
Mas não é só a BMW. A maioria das marcas europeias, norte-americanas, japonesas e sul-coreanas oferecem modelos, no Brasil e no mundo, intuitivos. Com botões à vista, e indicações claras sobre a função que eles comandam.
Usabilidade dos chineses é diferente
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Como acionar o sistema semiautônomo de condução em um carro chinês? Em muitos casos, na mesma alavanca do câmbio. Como o motorista pode saber disso? Tem uma maneira apenas: na entrega técnica. Isso porque a solução não é intuitiva.
Este é um exemplo entre tantos que vemos com o crescimento da presença de carros chineses em território nacional. Usabilidade ainda não é o forte desses automóveis, embora exista algumas coisas práticas. Há uma tendência a se concentrar tudo no multimídia - até mesmo comandos para ajustes de itens como retrovisores externos.
Algumas coisas até são mais óbvias que outras, e mais fáceis de achar. Ainda assim, é preciso dar muitas faltas. O resultado é que o motorista perde tempo e, frequentemente, se irrita.
Isso ocorre porque a China tem o seu jeito próprio de fazer as coisas. Olhando exclusivamente para o setor de automóveis, estas são muito diferentes do que se vê no resto do mundo. Por lá, não há Uber, e sim um app chinês equivalente. O mesmo vale para Waze, Google Maps, Android Auto e Apple CarPlay.
A marca chinesa tem de desenvolver Android Auto e Apple CarPlay exclusivamente para vendas fora do país. É por isso que muitas vezes os carros que chegam de lá vêm sem essas tecnologias, e passam a trazê-las em lotes posteriores de importação.
Sul-coreanos e japoneses também fazem as coisas de uma maneira muito diferente de norte-americanos e europeias. Ainda assim, seus carros conseguem mandar uma linguagem universal de usabilidade. Há uma ou outra coisa diferente, é claro, mas o motorista sempre acha o que precisa.
Esse linguagem universal é fundamental para o carro globalizado, vendido no mercado de origem e em vários outros. Os chineses chegaram depois, e ainda estão se adaptando ao padrão global. Os automóveis feitos lá podem encontrar um pouco mais de dificuldades porque, diferentemente do que ocorre nos outros países, na China quase nada que vem de fora pode.
Por outro lado, a velocidade com que a China desenvolve seus carros, e os torna melhores a cada dia, surpreende o mundo. Assim, dá para prever que as evolução da usabilidade não vai levar muito tempo.
A maior prova é a GWM, uma das que mais investem na adaptação dos veículos aos padrões adotados fora da China. De 2023, quando chegou, para cá, os produtos da marca evoluíram muito no quesito usabilidade.
Em tempo: vale ressaltar que, se não se destacam em usabilidade intuitiva, os carros chineses têm outras coisas que estão cativando o mundo. Entre elas, as câmeras multifunção, entretenimento a bordo e, principalmente, tecnologias de eletrificação.
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