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A crise climática foi capturada pelo identitarismo ou pela história?

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08.08.2026

A crise climática foi capturada pelo identitarismo ou pela história?

Vendaval, enchente, onda de calor, ciclone: essas palavras entraram em nossas vidas sem pedir licença e vieram para ficar, como apontam os especialistas. A ansiedade climática decorrente desse cenário se dissemina por todo o território nacional, e por todo o globo. Mas os estragos, as dores e os medos atingem os grupos populacionais de forma desigual, e esses traumas, em muitos casos, já são históricos.

Se a crise ambiental e o racismo ambiental parecem fenômenos novos, o deslocamento territorial forçado é antigo, e é essa historicidade que conecta a crise climática a um processo muito mais amplo.O trauma climático tem raça, gênero e endereço, ou seja, não é neutro nem universal. Para a população negra, a ansiedade climática, descrita superficialmente como pavor diante do futuro, revela-se uma reação adaptativa e contínua ao racismo ambiental e ao deslocamento territorial historicamente forçado.

A tese central desta reflexão é que o sofrimento psíquico das mudanças climáticas nasce da repetição contínua do fim dos nossos mundos: o racismo funciona como dispositivo de poder que direciona os impactos da degradação ambiental sobre os corpos negros, convertendo o direito ao território em um estado de impermanência permanente.

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Quando uma tempestade, um deslizamento ou a elevação do mar destroem uma comunidade periférica, perde-se........

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