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IPVA zerado: lei feita sob medida para Corolla beneficia Yaris Cross em SP

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26.02.2026

IPVA zerado: lei feita sob medida para Corolla beneficia Yaris Cross em SP

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Quando o governo de São Paulo aprovou a Lei estadual nº 18.065, no fim de 2024, o discurso era simples: estimular veículos menos poluentes. O desenho técnico, porém, foi tudo menos amplo. Ao exigir uma combinação bastante específica de tecnologia — híbrido full, motor flex, potência elétrica mínima e limite de valor — a regra acabou beneficiando, na prática, apenas dois modelos no mercado brasileiro: Toyota Corolla Hybrid e Toyota Corolla Cross Hybrid.

Agora, com o lançamento do Toyota Yaris Cross, a apelidada "lei do Corolla" ganha um novo personagem.

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A legislação paulista prevê isenção total de IPVA em 2025 e 2026 para veículos híbridos ou movidos a hidrogênio que atendam simultaneamente a critérios técnicos rigorosos. O carro precisa ter motor a combustão compatível com etanol (ou seja, ser flex), motor elétrico com potência mínima de 40 kW, sistema com tensão mínima de 150 volts e valor venal abaixo do teto definido pela Secretaria da Fazenda — em 2026, cerca de R$ 261 mil.

A lei também estabelece um retorno gradual da tributação: 1% em 2027, 2% em 2028, 3% em 2029 e alíquota cheia de 4% a partir de 2030. Na prática, o benefício não é apenas uma isenção temporária, mas um ciclo de desconto que se estende por cinco anos.

O ponto central está na combinação das exigências. O Brasil tem híbridos flex? Tem. A Stellantis, por exemplo, aplica sistemas eletrificados nos Fiat Pulse Hybrid e Fiat Fastback Hybrid, além de Peugeot 208 e 2008. Mas são sistemas mild hybrid de 12V ou 48V, com motor elétrico auxiliar e potência muito abaixo dos 40 kW exigidos. Não atingem nem a tensão mínima de 150 volts. Ficam fora.

E os chineses? Modelos da BYD e da GWM até oferecem híbridos mais sofisticados, inclusive plug-in. Mas não são flex, e muitos ultrapassam o teto de valor estabelecido pelo Estado. Também ficam de fora.

Foi assim que Corolla e Corolla Cross se tornaram, sozinhos, os beneficiários reais do incentivo. Não porque a lei mencione a Toyota, ela não menciona, mas porque a tecnologia híbrida flex full, com alta tensão e produção em escala, é hoje um território praticamente exclusivo da marca no país.

É nesse contexto que surge o Yaris Cross.

Produzido em Sorocaba (SP), o SUV compacto híbrido flex chegou às concessionárias no inicio do mês, após atrasos no cronograma inicial do projeto. O modelo estreia com versões híbridas a partir de R$ 172.390 (XRE Hybrid) e R$ 189.990 (XRX Hybrid), valores confortavelmente abaixo do teto paulista.

Do ponto de vista técnico, ele cumpre os requisitos: sistema híbrido full com arquitetura de alta tensão, motor 1.5 flex, potência combinada de 111 cv com etanol e consumo declarado de até 17,9 km/l na cidade. Em outras palavras, também se encaixa na lei.

Com isso, a Toyota passa a ter três modelos dentro da mesma lógica tributária paulista: sedã médio, SUV médio e agora SUV compacto híbrido flex.

O Yaris Cross chega bem equipado. Todas as versões trazem seis airbags e pacote Toyota Safety Sense de série, com controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa e sistema de pré-colisão. As versões mais caras incluem câmera 360°, monitor de ponto cego e teto panorâmico. A marca ainda aposta em um argumento forte de pós-venda: revisões por R$ 549 nas seis primeiras manutenções e possibilidade de garantia estendida para até dez anos.

Mas o modelo não escapa de críticas. O painel digital de 7 polegadas já parece pequeno diante de rivais mais recentes, o acabamento usa bastante plástico rígido e o conjunto mecânico, embora eficiente, não empolga em desempenho. A potência de 111 cv é suficiente para a proposta urbana, mas distante de qualquer apelo esportivo. O projeto também chega em um momento em que concorrentes oferecem centrais multimídia maiores e mais conectividade.

Ainda assim, nenhum rival direto oferece o que ele oferece em São Paulo: SUV compacto híbrido flex com IPVA zerado até 2026 e tributação reduzida até 2029.

Esse cenário pode começar a mudar nos próximos meses. A Chevrolet já confirmou que o novo Sonic terá versão híbrida flex no Brasil, e a Volkswagen também prometeu uma configuração eletrificada para o Tera. O fato de serem duas marcas com fábricas no estado de São Paulo pode pressionar o governo a aumentar o prazo dos benefícios, uma vez que, nos bastidores do setor, a medida também é vista como uma resposta paulista ao regime automotivo que concede incentivos fiscais a fábricas instaladas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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