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Precisamos aprender com a Índia sobre inteligência artificial e educação

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26.02.2026

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Precisamos aprender com a Índia sobre IA e educação

Com 250 milhões de estudantes no ensino básico, país trata tecnologia como serviço essencial para educação

Ferramenta pública indiana inspira governo brasileiro a desenvolver modelo próprio

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Cofundador e CEO da Letrus

Na semana passada, em minha segunda viagem de trabalho ao país em dois meses, participei do IA Impact Summit em Nova Delhi, na Índia. O evento, capitaneado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, reuniu lideranças globais —de CEOs das grandes empresas de inteligência artificial a chefes de Estado como Emmanuel Macron e o presidente Lula— sob um tema urgente: o futuro da IA e seu impacto na sociedade.

A convite do J-PAL (Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab), centro de pesquisa internacional baseado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na sigla em inglês), apresentei a trajetória e a visão da Letrus sobre o futuro da IA e da educação.

Ser um caso raro de IA com eficácia comprovada na redução da desigualdade educacional abriu portas para reuniões e fóruns com as principais lideranças do setor no país, me permitindo consolidar uma visão clara sobre o que podemos aprender com os indianos para ampliar nossa capacidade de gerar mudanças concretas na educação brasileira.

Primeiro, o ecossistema indiano demonstra uma nitidez e criticidade muito maior sobre o que é impacto na educação: redução de desigualdade educacional com base em evidências sólidas.

No Brasil, embora o discurso da eficácia seja consenso, na prática ainda carece de rigor. De fato, é possível dizer que a maior parte das iniciativas e projetos do setor não apresentam métricas consistentes e concentram boa parte dos recursos públicos e privados disponíveis.

Segundo, há o entendimento de que a tecnologia não é um acessório ou um "suplemento", mas um requisito existencial.

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Em um país de tremenda desigualdade e 250 milhões de estudantes na educação básica (cinco vezes o contingente brasileiro), é impossível pensar em escala e saltos de equidade sem inovação, sem colocar a tecnologia no centro da estratégia.

Para os indianos, a IA não é um tópico paralelo ou uma curiosidade técnica; é uma infraestrutura básica para se pensar o futuro da aprendizagem.

Por fim, a Índia opera sob um paradigma de transformação sistêmica que ainda tateamos no Brasil. Enquanto por aqui tendemos a olhar para o sucesso de forma direta —a organização X beneficiando Y pessoas—, os projetos de grande porte na Índia florescem por meio de colaborações multissetoriais profundas.

A premissa é lógica: se o problema é sistêmico, a solução também precisa ser. O caso emblemático é a DPI (Digital Public Infrastructure). Ao viabilizar uma identidade digital única (Aadhaar), a Índia destravou o acesso a benefícios sociais e permitiu a construção de uma esteira de soluções tecnológicas de escala nacional.

É a prova de que a tecnologia, quando pensada como bem público, remove gargalos históricos. Esse caso já vem inspirando organizações brasileiras e o próprio governo, que firmou parceria com o governo indiano para desenvolver a nossa própria infraestrutura.

Em um momento em que a IA viabiliza interfaces navegáveis que impressionam e enganam e que narrativas se sobrepõem a fatos e evidências, a experiência indiana surge como um sopro de pragmatismo para as mudanças estruturais que precisamos.

Ela nos mostra que é possível construir um ecossistema mais colaborativo e necessariamente inovador, no qual colocar tecnologia no centro da estratégia não é uma opção, mas uma necessidade.

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