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Raimundo Carrero: palavra como arma de combate e legado difícil de mensurar

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23.06.2026

Raimundo Carrero: palavra como arma de combate e legado difícil de mensurar

Por conta de algumas coisas que venho escrevendo e pensando, tenho "A Luta Verbal" à mão. No ensaio que dá nome ao livro publicado pela Iluminuras, Raimundo Carrero defende: "A luta verbal - que aqui substituiu, com vantagens, a literatura - é um grito de dor contra a fome, a miséria, o racismo, a discriminação e o preconceito de toda ordem, unindo num só tempo a técnica e a expressão literária popular".

Graciliano Ramos, Jorge Amado e Sidney Rocha são alguns dos exemplos apontados pelo autor de quem trata a literatura como luta verbal. Depois da publicação, em 2022, um esquecimento atormentaria Carrero: imperdoável não ter colocado na lista Carolina Maria de Jesus, dona de uma obra que considerava magnífica e decisiva, como compartilhou comigo num episódio do podcast da Página Cinco.

Cheguei tarde na literatura de Carrero e acompanhei mais de perto a fase final de uma obra iniciada com "As Sombrias Ruínas da Alma", de 1999 (Iluminuras), que lhe valeu um Jabuti na categoria Contos e Crônicas. Nessa fase derradeira, os livros do autor apresentavam sinais de urgência e procuravam responder, alertar ou compreender questões prementes do nosso cotidiano e da vida do escritor.

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